quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Entrevistas antigas: Revista Veja 2008


Edição 2049
27 de fevereiro de 2008
"Tudo é novidade"
Por Isabela Boscov

Jeff Vespa/Wireimage/Getty Images
Com um papel em Eu Sou a Lenda e outras quatro produções
estrangeiras por estrear, Alice Braga, de 24 anos, já construiu
a mais sólida carreira internacional de um intérprete brasileiro


Há um ano, Alice Braga não para em casa: revelada por Fernando Meirelles em Cidade de Deus, no papel de uma garota da Zona Sul que é objeto de desejo de um rapaz da favela, essa paulistana "da gema", como se descreve, engatou uma carreira internacional que já é mais prolífica que a de qualquer outro ator brasileiro até aqui. Além de Eu Sou a Lenda, a superprodução em que interage com Will Smith, Alice rodou recentemente quatro outras produções estrangeiras, nas quais divide a cena com Harrison Ford, Sean Penn, Jude Law e Forest Whitaker. Num desses filmes, Redbelt, uma história passada no mundo do jiu-jítsu, foi dirigida pelo dramaturgo David Mamet, um ícone do meio cinematográfico. Voltou a se reunir com Meirelles em Blindness, adaptação de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Aos 24 anos, faladora e "muito família", Alice ainda não prova do efeito colateral desse tipo de estouro: a celebridade. Está num momento em que a indústria já acompanha seu percurso com interesse, mas o público ainda não a reconhece. Ela conversou com VEJA em duas ocasiões nas últimas semanas – de Nova York e numa visita à família, em São Paulo.
Veja – Você tem apenas 24 anos e já montou um currículo internacional sem precedentes para um ator brasileiro. Ele é fruto de planejamento ou de acaso?
Alice – Eu sempre quis trabalhar com cinema, desde pequena, tanto faz se aqui ou lá fora. Cinema e ponto, esse era meu único plano. A partir do momento em que as portas começaram a se abrir, fui tocando de ouvido. Já fiz vários filmes no Brasil, começando por Cidade de Deus e depois Cidade Baixa, A Via Láctea e Só Deus Sabe, que é meio brasileiro e meio mexicano. E dei a sorte de engrenar também uma carreira fora do país. Digo sorte porque eu quero papéis que me desafiem, que me obriguem a crescer. Quanto mais oportunidades, portanto, melhor.
Veja – A fama mudou algo na sua relação com seus amigos?
Alice – É engraçado, mas tudo continua igual. Acho que é porque eu mesma não mudei. Chego ao Brasil e ligo para todos os meus amigos, procuro vê-los e estar perto deles. A verdade é que ainda não provei do que é a celebridade. Outra noite, uma moça me reconheceu no supermercado. Ela acenou para mim, eu acenei para ela, e continuei escolhendo minhas frutas. Isso aconteceu uma vez, em dez dias em São Paulo. O mais comum é as pessoas olharem para mim com aquela cara de que me conhecem mas não sabem de onde. O resultado é que eu também fico em dúvida se conheço a pessoa ou não. Minha irmã me manda parar de sorrir, diz que é claro que não é ninguém que eu tenha visto antes. Mas e se for? Sei lá, posso ter esquecido.
Veja – Você tem medo de se tornar uma celebridade?
Alice – Por enquanto, tenho mais curiosidade. É lógico que essa coisa dos paparazzi dá medo, por causa da invasão de sua privacidade e da de sua família. Mas não vivi nada disso, só sei pelas histórias dos outros. Cheguei aqui, por exemplo, e fiquei impressionada com o tamanho do Waguinho (Wagner) Moura hoje em dia. Acho que ele se assustou. Mas duvido que ele vá mudar ou deixar de ir ao supermercado e ao cinema. Você só passa a escolher melhor os horários em que vai sair por aí. Shopping center na sexta-feira às 6 da tarde, por exemplo, não dá.
Veja – Seus pais se preocupam?
Alice – Não, porque sempre tive o pé no chão, desde a adolescência. Os meus amigos ficavam doidos e eu tomava uma cerveja, pronto. Nunca fui baladeira. Adoro ir a festas na casa dos outros, mas não sou de boate. Se saio para dançar com as minhas amigas, é para dançar com elas, não para ficar aí pela noite.
Veja – Mas nesse meio a balada está lá, à disposição?
Alice – Sem dúvida – como em qualquer lugar do mundo e em qualquer meio. Se você quiser sair de segunda a segunda em São Paulo, não vai faltar aonde ir. Mas sou muito batalhadora para entrar nessa.
Veja – Você se preocupa com a ideia de ser tipificada como uma atriz latina?
Alice – Não mesmo. Uma atriz é uma atriz. Sou tão nova e tenho tanto a aprender que tudo o que vejo quero fazer, porque tudo é novo para mim. De mais a mais, sou latina e sul-americana mesmo. Isso não é uma tipificação, é o que eu sou.
Veja – Você imagina chegar a um ponto em que venha a inverter sua situação – ou seja, em que se mudará para os Estados Unidos e apenas visitará o Brasil?
Alice – Não. Primeiro porque os filmes americanos hoje são feitos em todo lugar, não só nos Estados Unidos. Agora, por exemplo, acabei de filmar Repossession Mambo em locação no Canadá, onde foi rodada também parte de Blindness, de Fernando Meirelles. Logo depois de concluir Eu Sou a Lenda, no ano passado, passei três semanas em Santa Catarina trabalhando num curta-metragem – daí fui para os Estados Unidos fazer Redbelt, com David Mamet. No segundo semestre, volto para fazer Cabeça a Prêmio, em que Marco Ricca vai me dirigir, e que temos de rodar antes que comece a estação das chuvas em Mato Grosso. Moro onde o filme está. Mas o Brasil é a minha casa, e não penso mudar isso.
Veja – Por que não?
Alice – Fico com muita saudade de casa. Sempre que posso, volto correndo.
Veja – Tem algum namorado nessa história?
Alice – Pulo tanto de lá para cá que acho que ninguém quer me namorar. Mas tenho muita vontade de ter uma família. Fui criada muito junto com meu pai, minha mãe e minha irmã, sou ligadíssima neles. Eles são supercorujas, carinhosos, sempre me deram a maior força. Nem vou começar a falar neles porque senão não paro. Minha família é, para mim, a base de tudo: quem eu sou, para onde eu volto.
Veja – Você usa o sobrenome da sua mãe, Braga, mas fala o mínimo possível sobre o fato de ser sobrinha de Sonia Braga. Vocês não são próximas ou é pudor de capitalizar a fama de sua tia?
Alice – Na verdade, passei a usar Braga em vez de Moraes, que é o sobrenome do meu pai, porque em pequena eu ia aos sets de filmagem de comerciais com a minha mãe e, como falo pelos cotovelos e sou muito extrovertida, começaram a me convidar para fazer comerciais também. O pessoal dizia: "Vamos chamar a Lili, a filha da Aninha Braga". E acabei virando Lili Braga. Mais tarde troquei o Lili por Alice porque depois de certa idade apelido não dá, né? Mas sou fã do trabalho da minha tia. Não a menciono muito porque nunca passamos grandes períodos perto uma da outra. Quando eu nasci, ela morava fora. Agora ela voltou e eu é que não paro aqui.
Veja – Quando um ator começa a despontar com força no cinema americano, como é o seu caso agora, habitualmente o agente dele o pressiona a aceitar trabalhos que rendam o máximo de exposição e de cachê, mas que nem sempre são os que o ator gostaria de fazer. Essa é também a sua experiência?
Alice – Desde 2003 sou representada nos Estados Unidos pela Endeavor, uma agência até bem grande. Mas me entendo às mil maravilhas com a minha agente. Ela sempre apoiou a minha decisão de continuar a filmar também no Brasil e jamais me pressionou a mudar de vez para Los Angeles. Também nunca tentou me empurrar projetos. Ela procura não necessariamente coisas em que eu apareça muito, mas sim em que eu apareça bem.
Veja – O cinema americano paga cachês tremendamente maiores que o brasileiro. O dinheiro é uma tentação na hora de escolher um projeto?
Alice – Dinheiro paga as contas, e não se deve fazer pouco da independência e da estabilidade que ele proporciona. Neste momento, por exemplo, estou passando umas semanas no Brasil, com a minha família, sem me angustiar por não estar recebendo neste mês. Mas estou tão no começo! O prazer de fazer uma coisa diferente, pela qual se tenha entusiasmo, é inestimável. Além disso, esse tipo de cachê que pode constituir uma tentação está bem fora da minha categoria. É coisa para gente muito maior do que eu.
Veja – À parte alguns flashbacks, em Eu Sou a Lenda você é a única pessoa que contracena com Will Smith. Como surgiu essa oportunidade?
Alice – Quando eu estava lançando Cidade Baixa no Festival de Sundance, minha agente me avisou do teste para Eu Sou a Lenda. Fiz a audição com a produtora de elenco e voltei para o Brasil. Nem pensei mais no assunto. Nesse meio-tempo, o diretor Francis Lawrence, o roteirista Akiva Goldsman e Smith viram o videotape, gostaram e me convidaram para fazer uma leitura. Não basta que o ator pareça bem no teste; é preciso se certificar de que existe uma química interessante entre ele e o protagonista. Então fiz a leitura com Will Smith e aí... rolou.
Veja – Você é naturalmente mignone, mas está magérrima em Eu Sou a Lenda. Os produtores exigiram que você perdesse peso?
Alice – Fiz oito meses de dieta puxada – eu e Will Smith. Num mundo pós-apocalíptico, certamente esses personagens não estariam indo à pizzaria toda semana. Fiquei um mês sem comer nada de carboidrato, só proteínas e vegetais, sem sal e sem temperos. Depois introduzimos um pouco de fruta na dieta – mas só um pouco. E todos os dias eu corria 8 quilômetros de manhã e, à tarde, malhava. Minha mãe ficou toda preocupada. Mas se sentir faminta e no limite do seu físico ajuda você a entender o que o personagem estaria passando.
Veja – Em Eu Sou a Lenda, seu inglês chama atenção não só pela fluência, mas também pela pronúncia e entonação precisas. Você já falava bem inglês antes de começar sua carreira estrangeira?
Alice – Estudei inglês desde pequenininha. Hoje em dia agradeço a meu pai por sempre ter me obrigado a seguir as aulas, mesmo quando eu ficava com preguiça e inventava desculpas para parar. Mas, até trabalhar fora do Brasil, eu não falava com a fluência e a naturalidade de alguém que tivesse morado fora. Quando começaram a pintar essas oportunidades, voltei então a me dedicar à língua. Para Eu Sou a Lenda, tive um dialect coach, um profissional que ajuda não só a limpar o sotaque, mas, nesse caso, a melhorar a dicção e aprimorar a entonação. Quando uma pessoa fala uma língua estrangeira, ela tende a transferir sua entonação nativa para o segundo idioma – o que não só muda o sentido do que é dito como desvia a atenção do conteúdo para a forma, por assim dizer. A preocupação, então, era que minhas falas soassem claras e também naturais. Para isso, é preciso treinar até que todas essas regras se tornem inconscientes. Senão, na hora de fazer a cena, você só pensa no que está dizendo, e não na atuação, como deveria.
Veja – Em abril estreia nos Estados Unidos Redbelt, que você e Rodrigo Santoro fizeram com o cineasta e dramaturgo David Mamet, um dos nomes mais celebrados do meio. O que você aprendeu com ele?
Alice – Trabalhar com Mamet foi maravilhoso. Sempre admirei não só as peças e os roteiros dele, mas também os livros de cinema que ele escreve, que são ótimos. Ele é um ícone, e me senti tremendamente honrada – além de apavorada. Mas ele me guiou o tempo todo. Apesar da fama de bravo, ele é um homem carinhoso, doce, que pega você pela mão. Esse foi um ano especial porque aprendi coisas diferentes com cada uma das pessoas com que trabalhei. Com Mamet, aprendi a mergulhar nas nuances do texto, a pesar as palavras e entender a maneira como elas devem ser ditas para atingir o efeito que se pretende. O roteiro dele é algo que nunca vi: vem com todas as palavras em que a ênfase deve recair sublinhadas. É quase uma partitura – e ninguém ousa improvisar ou mudar uma letra do que ele determinou.
Veja – Redbelt é uma história passada no mundo do jiu-jítsu. Como algo tão brasileiro foi parar na mão de David Mamet?
Alice – Ele faz jiu-jítsu há seis anos com um professor brasileiro e é louco pelo esporte. Daí esse enredo sobre um clã ligado ao jiu-jítsu. Eu faço a princesinha da família, casada com um lutador, interpretado pelo inglês Chiwetel Ejiofor, que acha que os campeonatos são um desvirtuamento da filosofia da luta. O engraçado é que não tenho nenhuma cena no filme com Santoro, que faz um empresário do meio.
Veja – Que outros trabalhos internacionais você já completou?
Alice – Acabei de filmar Repossession Mambo, uma ficção sobre o comércio de órgãos com Jude Law e Forest Whitaker. Esse deve ser lançado só em 2009. Em Crossing Over, que tem estréia prevista para junho nos Estados Unidos, faço o papel de uma imigrante ilegal detida na fronteira mexicana. O roteiro trata da imigração de um ângulo que tem sido pouco abordado: não só o das pessoas que estão cruzando a fronteira, como é o caso da minha personagem, mas principalmente do ponto de vista de gente que está nos Estados Unidos há vinte anos, construiu lá uma vida, e cai na malha da fiscalização.
Veja – Seu papel em Crossing Over é pequeno, mas os atores com os quais você contracena são do primeiríssimo time.
Alice – Pois é, a maioria das minhas cenas é com Harrison Ford, que faz um agente federal do Departamento de Imigração, e com Sean Penn, que interpreta um patrulheiro de fronteira – aqueles policiais que ficam dentro do carro, no deserto, à espera de observar alguma movimentação suspeita. Ele é o patrulheiro que me apreende.

Veja – Você é daqueles atores que só enxergam defeitos quando se vêem em cena?
Alice – Sempre penso que poderia ter feito isso ou aquilo de um jeito diferente, o que é uma reação absolutamente comum. Mas vejo os trabalhos que fiz um, dois ou três anos atrás quase como se fossem de outra pessoa. Tento não me julgar demais pelo que já ficou para trás. A gente nunca se banha no mesmo rio duas vezes, certo? Ele está sempre passando.

Fonte: VejaOnline

Matérias já publicadas sobre Alice: ISTO É GENTE 2005

Nesse marcador (retrospectiva) pretendo reunir as matérias que já foram publicadas sobre a Alice. Aqui trago uma das primeiras, na revista Isto é gente de novembro de 2005 cuja capa foi a atriz Lavínia Vlasak:


Texto: Mariane Morisawa
Fotos: Edu Lopes


No seu segundo longa, Cidade Baixa, Alice Braga faz um dos papéis mais ousados das últimas produções brasileiras e, sobrinha de Sonia Braga, comprova a herança talentosa ao ganhar o prêmio de melhor atriz do Festival do Rio

Ensaio: a beleza recatada da sobrinha de Sonia Braga

Como tantas atrizes de 22 anos, Alice poderia se apoiar apenas no rosto bonito. O caminho óbvio era o início em Malhação. No entanto, arriscou-se, começando num papel pequeno e marcante, o contraponto aos meninos da favela em Cidade de Deus. Até sobrenome que poderia abrir portas, ela tem: Braga, o mesmo de Sonia, sua tia. Só que não se esconde atrás dele. A atriz está estreando seu segundo longa, Cidade Baixa, dirigido por Sérgio Machado. O segundo, apenas (ela já rodou outros dois). Pelo filme, ganha elogios unânimes. Recebeu aplausos no Festival de Cannes que a fizeram chorar. E ficou gaga ao subir no palco para pegar seu prêmio de melhor atriz no Festival do Rio.

“O maior elogio que eu recebo é: como você foi corajosa”, diz Alice, num sábado chuvoso em São Paulo, elétrica apesar das dez noites dormindo uma média de 3 horas, por causa da filmagem de seu quarto longa, Journey to the End of the Night. Coragem é a melhor palavra para descrever sua atitude em relação a Cidade Baixa. Para começar, ela entrou naquilo que se chama de 47 minutos do segundo tempo, quando se contavam três semanas de ensaio. O diretor não encontrava a sua Karinna. Ele consultou a preparadora de elenco Fátima Toledo, que tinha trabalhado brevemente com Alice em Cidade de Deus. “Desconfiava que ela ia se entregar de peito aberto”, diz Fátima. Sérgio Machado percebeu o quanto Alice estava assustada e fez questão de buscá-la no aeroporto. “Disse: confie em mim. E ela confiou. Com 21 anos, entrou nessa parada”, lembra ele. A segunda dificuldade foi trabalhar com dois atores experientes, Wagner Moura e Lázaro Ramos, que, ainda por cima, são grandes amigos. “Eles tiveram paciência com a minha imaturidade, de ser menina, de estar me encontrando”, agradece ela. A terceira complicação é que Alice não vive uma pessoa próxima de sua realidade de classe média alta paulistana: Karinna é uma prostituta por quem o Naldinho de Wagner Moura e o Deco de Lázaro Ramos, amigos de infância, se apaixonam, sendo correspondidos. Num filme sem meias palavras como Cidade Baixa, isso significa uma intensa carga emocional, cenas de nudez e sexo.

“Alice era uma menina, a mulher não estava acontecendo”, diz Fátima Toledo. Afinal, Alice é a Lili. A menina hiperativa que fala muito e rápido, que adora tomar cerveja com os amigos no boteco, que gostava de jogar bola e de brincar de He-Man quando era pequena, cujo sorriso dominava qualquer retrato de família. A garota que freqüenta sets de filmagem desde os 4 anos de idade. A mãe, Ana, é publicitária e levava as duas filhas para o trabalho depois da escola – a outra, Rita, formou-se em cinema na Austrália. Os amigos de Ana notaram que a menina tagarela não tinha muita vergonha e passaram a chamá-la para fazer comerciais. “Era diversão pura, uma desculpa para estar no set”, conta Alice, que nunca teve dúvida de que ia trabalhar com cinema. Um dos amigos era Fernando Meirelles, com quem ela fez dois comerciais e que depois a chamaria para Cidade de Deus. O pai, o jornalista Ninho Moraes, lembra que Alice adorava o ambiente. “Um dia a levei para um teste de manhã. Sete horas depois, ela ainda estava no set, dando palpite, ajudando os outros”, conta ele, que só teve certeza de que ela seria atriz quando viu seu comprometimento em Cidade Baixa.

Entrega não faltou. Numa cena de striptease, Alice teve dificuldade. O problema não eram só o cansaço e a nudez na frente de 30 desconhecidos, mas ter de tirar a roupa seduzindo Wagner e Lázaro. Sérgio Machado parou a filmagem. “Ela ficou mal por isso. Mas trabalhou a noite inteira e, no dia seguinte, além de fazer a cena muito bem, teve sua melhor atuação, quando Naldinho a chama para morar com ele”, lembra o cineasta. “Admirei muito a Alice porque era fácil sucumbir.” A sensualidade foi um ponto que a atriz teve de trabalhar. “Eu não sou muito sexy. Sou carinhosa, as pessoas dizem que isso é sedutor. Mas eu não sou muito cocota”, afirma ela. Também por isso, a garota não teme as comparações com a tia Soninha, que deixou o Brasil quando ela nasceu. “É outra época, outro cinema, outra pessoa. A Sonia tem um fogo dentro dela, que eu não tenho. Sei tirar para um personagem, mas eu, a Lili, não tenho”, diz ela, que está sem namorado e nega os boatos de romance com Jonathan Haagensen, seu amigo desde Cidade de Deus. “Achei até engraçado ter saído no jornal.”

Tudo isso fez com que a moleca se transformasse. “Em dois meses, ela se descobriu mulher, amadureceu quatro, cinco anos”, diz Sérgio Machado. Até a própria concorda. “Saí outra pessoa. Entrar numa barca dessas dá um amadurecimento. Vivendo um personagem que tem tanto problema, você reavalia as coisas: Eu dou valor à vida realmente? Ou só brinco de viver?” Levada pela vida, pela sorte e pelo talento, Alice rodou Só Deus Sabe, co-produção Brasil-México com Diego Luna, e Journey to the End of the Night, filme internacional rodado no Brasil. Por causa do cinema, não foram para a frente as conversas para estrelar produções da Rede Globo, como Belíssima e JK – a atriz fez participação em Carandiru – Outras Histórias. “A hora certa vai chegar”, diz ela. Para Wagner Moura, Alice tem atributos que fazem vislumbrar um belo futuro. “Quando vi, em Cannes, a desenvoltura com que ela circulava, com aquele sorrisão, disse: é uma estrela.” Lázaro Ramos, por sua vez, aconselhou-a a buscar o teatro. “Só digo isso porque é evidente o talento dela”, diz. Já que acomodação não está no dicionário de Alice, além de estudar, ela vai seguir a dica. “Tenho medo do palco. Mas quero enfrentar”, diz ela. Risco, sem dúvida, ela não tem medo de correr.

Fonte: Isto é Gente

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Novo projeto para Alice

O filme "By Way of Helena” adicionou a seu elenco: William Hurt (“A Hospedeira”) e Alice Braga (“Elysium”). O thriller de vingança (seja lá o que isso significa) também é estrelado por Liam Hemsworth e Woody Harrelson. WestEnd Films será o agente de vendas internacionais, e irá apresentar o filme para os compradores em Toronto.As informações são da Variety. O filme, situado no ano de 1880, conta a história do agente federal David (Hemsworth), enviado para a isolada cidade de Mount Hermon para investigar uma série de assassinatos e desaparecimentos da população. Porém, ele precisa enfrentar o padre local (Harrelson), que controla uma cidade inteira tomada pelo medo. De acordo com suas descobertas, David se encontra encarando sozinho as forças da cidade.
A direção do longa é de Kieran Darcy-Smith (“Perigo em Alto Mar”) e o responsável pelo roteiro é Matt Cook. David Hoberman e Todd Lieberman serão produtores da trama. As filmagens estão previstas para começar no dia 15 de setembro deste ano e o filme ainda não tem data para lançamento.
Fonte: Variety
Cinema com Rapadura

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pôster de Kill Me Three Times

Foi liberado hoje o primeiro pôster de divulgação de Kill Me Three Times - filme australiano que tem Alice como protagonista, um dos irmão Hemsworth e a cover da Kristen Stewart (Teresa Palmer - repara como parece) no elenco.
Kill Me Three Times-animado
Foi liberada ainda a informação que o filme - dirigido por Kriv Stenders será exibido no Festival de Toronto (o TIFF) no mês de setembro.

domingo, 17 de agosto de 2014

Alice dá entrevista em Locarno

Entrevista a uma publicação do festival de Locarno: 
Entrevistador: [Alessandro De Simone, 10 | 8 | 2014]
Traduzida e adaptada;
Foto: Alessio Pizzicannella
Pergunta. Alice, não é a primeira vez que você está no júri de um festival internacional...
Não, mas desta vez eu tenho que decidir os prêmios oficiais de um evento tão prestigiado como Locarno. É ótimo, eu tenho a oportunidade de conhecer tantas idéias diferentes sobre cinema. Eu nunca tinha estado aqui; é um festival belo e extraordinário[...],você vive o cinema a cada minuto. Meu pai, que ensina cinema na universidade, nunca esteve tão orgulhoso de mim.

P. Como você está trabalhando com o resto do júri?
Muito bem. Connie Nielsen é uma mulher e uma atriz incrível, e Thomas Arslan e DIAO Yinan são grandes cineastas; [...] Lidando com personalidade tão fortes e talentosas é um estímulo excepcional e nós esperamos que se reflita também nas nossas escolhas.

P. Por que você é em condição normal, um brasileiro que trabalha nos Estados Unidos com cineastas suecos, Sul-Africano ...
É verdade, em ‘O ritual’ trabalhei com Mikael Hafstrom, emElysium’ com Neal Blomkamp, um Sul-Africano que viveu no Canadá desde os dezoito anos. Eu sempre fui muito curiosa, é a razão de eu fazer filmes muito diferentes uns dos outros, de Eu Sou a Lenda á em El ardor de Pablo Fendrik, dirigido por um argentino onde eu trabalho com um mexicano, Gael Garcia Bernal, que me disse que Locarno é fantástico.

P. Como é o projeto de Cinema 23, a associação que  espera promover a indústria do cinema latino-americano no mundo?
Muito bem, em 08 de agosto, foi anunciado que a data da cerimônia de premiação da primeira edição do Prêmio Fenix, o Oscar do cinema latino-americano, será 30 de outubro na Cidade do México. Os membros doCinema 23’ estão trabalhando na nomeação. É importante promover-nos fora das fronteiras dos idiomas espanhol e português.

Q. Você está feliz que o Festival del Cinema de Locarno escolheu o Brasil para aCarte Blanche’ este ano?
Claro, eu acho que também é uma das razões por que estou aqui. Eu não podia ver algum dos trabalhos que estão sendo realizados, mas dar a oportunidade para os diretores, roteiristas, produtores e atores brasileiros poderem falar com os seus colegas de todo o mundo é algo que precisamos.

P. Olha, eu tenho que perguntar ...
A Copa do Mundo? Ok, a entrevista termina aqui...
Link da entrevista original em Italiano:

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Festival de Locarno

Photocall da Alice como Jurada no Festival de Locarno - Dia 07/08/2014 




Thomas Arslan, Gianfranco Rosi, Diao Yinan, Connie Nielsen e Alice Braga
Fonte: ZIMBIO

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Alice Braga mostra El Ardor em Cannes