Mostrando postagens com marcador Cinturão vermelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinturão vermelho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de julho de 2017

New Mutants e Atualizações

Essa noite tem novo episódio de Queen Of The South e enquanto ficamos esperando as novas aventuras da Teresa Mendonza, ficamos de olho em por onde anda Alice.

Fato é que já começaram as filmagens de New Mutants e alguns atores já postaram imagens na pré-produção do filme, essa semana. Alice que vai interpretar a doutora Cecilia Reyes, ainda não postou nada além da confirmação que está mesmo no filme.
'New Mutants Cast Arrives in Boston for Filming'
Ahead of the film’s spring 2018 release, the cast of Josh Boone’s New Mutants has arrived for filming in Boston. Star Henry Zaga shared the image featuring himself, Maisie Williams, and Charlie Heaton. With filming expected to start any day. #NewMutants #TheNewMutants #XMen
Parte do Elenco de New Mutants em Boston para filmar. Henry Zaga compartilhou a imagem com ele mesmo, Maisie Williams e Charlie Heaton. 

O filme está previsto para ser lançado já em abril do ano que vem! E eu estou super animada para ver, mas tem algo que está me incomodando e com certeza vai vir a tona nas discussões da internet: porque a Fox escolheu uma atriz latina para interpretar uma personagem que é negra? Na verdade, a personagem é mesmo a cara da Rosario Dawson (que iria interpretar, antes de deixar o projeto), e é provável que assim que as fotos de Alice como a personagem saírem, algumas pessoas vão questionar isso.
Resultado de imagem para alice braga new mutants

Os produtores provavelmente terão que lidar com isso, que não tem necessariamente a ver com a Alice, mas como alguém sensível a essas questões, me preocupa como isso pode ser interpretado. Nos EUA, a Alice representa uma minoria também - os latinos - e talvez isso possa ser visto como algo positivo, mas para os fãs mais fiéis dos quadrinhos mundo a fora, "embranquecer" uma grande personagem negra, pode não ser o melhor caminho a tomar em tempos onde Hollywood tem sido tão cobrada por representatividade. A Fox tem um histórico bem ruim de filmes de super heróis com os fãs mais assíduos das HQ's e justamente a franquia X-Men é uma das únicas que permanece relativamente a salvo.
Então estou torcendo muito para que o roteiro e a Alice arrasem nesse trabalho e para que se honre a história da personagem - que parece ter destaque - e o que ela representa, para que isso seja mais importante e relevante no filme do que a cor da pele dela.


                                                                         *


Por falar em Alice arrasando, além do Imagen Awards ela está concorrendo em mais uma premiação:
o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Maior premiação do cinema nacional, o Grande Prêmio chega a sua 16ª edição em 2017. O evento, que será realizado no Theatro Municipal, no dia 5 de setembro, premiará os profissionais e filmes lançados comercialmente em 2016.
(...)
O Prêmio é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e conta com o Patrocínio Master da TV Globo e Patrocínio do Canal Brasil através da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Alice concorre na categoria "Melhor atriz coadjuvante":

  • ALICE BRAGA como SANDRA por Entre idas e vindas
  • ANDRÉA BELTRÃO como ANA LUCIA por Sob pressão
  • LAURA CARDOSO como YOLANDA por De onde eu te vejo
  • MAEVE JINKINGS como ANA PAULA por Aquarius
  • MAEVE JINKINGS como GALEGA por Boi Neon
  • SOPHIE CHARLOTTE como GILDA por BR716

Fonte: AcademiaBrasileiradeCinema

                                                                              *
                          Vamos jogar uma brincadeira? Ache o Wally. Ou melhor ache a Lili.

w Brazilian movie star RODRIGO SANTORO (in 2010) actress ALICE BRAGA in the back (right side) #rodrigosantoro #300 #alicebraga #iamlegend #cinemanacional

Hahaha. A foto é de 2010, então deve ser da época da divulgação de Redbelt nos EUA, filme que ela fez com o Rodrigo Santoro. Alice parece que curte um futebol americano. Teve foto dela assistindo uma partida quando ela tava filmando On The Road, também.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Top05: galãs latinos com quem Alice trabalhou

Enquanto aguardamos as primeiras imagens oficiais de Queen of the south, a estreia de 'A Cabana' e a participação de Alice e Wagner Moura no SWSX em meados desse mês, continuamos com nossa lista de cinco coisas relacionadas a Lili.  Desta vez, listamos cinco galãs latinos, com quem ela trabalhou:

5. Diego Luna
Resultado de imagem para diego luna alice braga Resultado de imagem para diego luna alice braga


Imagem relacionadaPara além de dividir as telas, Alice já dividiu a vida pessoal com esse ator mexicano de 36 anos. Sim, ao gravarem Solo Dios Sabe (2006) um dos primeiros filmes da Alice no exterior e um dos poucos predominantemente em língua espanhola que ela fez, os dois tiveram um envolvimento que foi fofocado na mídia estrangeira na época, mas que Alice só confirmou anos depois. Os motivos que levaram a separação ninguém sabe, mas os dois ficaram super amigos e trabalharam juntos de novo em Elysium (2013). Diego faz o tipo galã fofo e trabalha no cinema desde cedo, assim como o Gael Garcia que é super amigo do ator; adoro o papel de Diego no "Dirty Dancing 2: noites em Havana" (2004).

4. Peter Gadiot
Resultado de imagem para peter gadiot alice braga
É muito errado o Gadiot estar nessa lista, já que ele é inglês. Mas em defesa da sua permanência aqui devo adicionar que sua mãe é mexicana, e o fato de que ele interpreta um latino em QOTS (e você viu essa foto aí do lado?). O que mais posso dizer de Peter Gadiot que mal conheço e já amo? Gadiot é um ator de 31 anos, que faz parceria com a Alice na série Queen of the south, seu personagem James é o bad guy que amaaaamos, e que shippamos bastante. A carreira do Gadiot ainda se resume a alguns poucos personagens, e eu não assisti a maioria das séries que ele fez parte, nem mesmo a mais famosa delas Once Upon a Time (que eu não curto muito, #mejulguem), mas a química dele com a Lili está mais que aprovada e eu tenho sério receio que os acontecimentos do final da temporada, transformem esses dois lindos em adversários. Outro papel recente dele foi em Supergirl, série da CW.



3. Wagner Moura
Imagem relacionadaTudo bem que no exterior Wagner ficou conhecido por um personagem gorducho e de caráter duvidoso, mas nós brasileiras que assistimos o Capitão Nascimento em sua melhor forma sabemos que "Waguinho" - como Alice chama - não é de se jogar fora. Esses dois já trabalharam juntos em Cidade Baixa (2005), um filme que é um marco da carreira dos dois (e do colega Lázaro Ramos) e anos depois Wagner indicou Alice para a personagem Frey em Elysium (2013). Duas curiosidades sobre essa parceria é que Alice já declarou que tomou a decisão de se tornar atriz depois de assistir a montagem da peça A máquina, estrelada por Wagner, Lázaro e Vladimir Brichta e segundo o Wagner em uma entrevista para a própria Alice, ela salvou a vida dele, cuidando dele quando ele teve pneumonia durante as filmagens de Elysium. Dessa lista, ele é o galã menos "tradicional" por chamar atenção muito mais pelo talento e pelas polêmicas (e fundamentadas) posturas políticas do que puramente pela beleza física, mas ainda assim esse baiano tem bastante charme, não é mexmo?
Resultado de imagem para diego luna alice braga


2. Gael Garcia Bernal
Imagem relacionadaGael despontou no cinema latino-americano como o típico galã mexicano em telenovelas; mas para não ficar preso ao estereótipo tratou de interpretar papeis ambíguos como o padre sem caráter de "O crime do Padre Amaro" (um tapa na cara da sociedade esse filme) e o Che Guevara de "Diários de uma Motocicleta" (2004) além de sucessos como "E sua mãe também" (2001) e "Amores Perros" que levaram sua carreira para confins hollywoodianos. Como a maioria dos atores latino-americanos não conseguiu papeis de tanto destaque nas grandes produções norte-americanas, dando mais sorte em produções "internacionais" como Babel (2006) e Ensaio sobre a Cegueira (2008), onde contracenou rapidamente com Alice em uma cena de abuso sexual coletivo que levou gente a sair do cinema no festival de Cannes de 2008. Polêmicas a parte ele voltou a atuar com a Lili no faroeste mexicano El Ardor (2013) e assim como Alice, encontrou na TV seu espaço na indústria norte-americana, com a série "Mozart and the jungle", que lhe rendeu um Globo de Ouro em 2016 e que tá na minha lista de séries para assistir!

1. Rodrigo Santoro
Resultado de imagem para diego luna alice bragaGalã até dizer chega, Santoro foi um dos primeiros nomes dessa geração a colocar a cara a tapa e fazer testes para Hollywood, a carinha de galã latino não atrapalhou o talento desse carioca de 41 anos, que fez parte de várias produções tanto lá fora como nas telinhas brasileiras e no cinema nacional. Ao lado da Alice, ele trabalhou em "Cinturão vermelho" (2008) de David Mamet e na série As brasileiras, em 2012, da rede Globo. Ainda há a possibilidade dos dois voltarem a trabalhar juntos em "Anjos de Hamburgo" outra minissérie global. Um dos trabalhos mais recentes do Rodrigo foi na primeira fase da novela Velho Chico, em 2016. Esse ano, ele ainda vai ser papai pela primeira vez de uma menina!
       Imagem relacionada

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Top05: Grandes diretores que já trabalharam com Alice Braga

O top05 de hoje traz os diretores famosos que já trabalharam com a Alice ao longo dos quase quinze anos de sua carreira. Confira:

5. Francis LawrenceResultado de imagem para francis lawrence
Esse diretor austríaco é mais conhecido pela adaptação dos últimos três filmes da saga Jogos Vorazes, que estrearam entre 2013 e 2015. Lawrence é o diretor ainda do regular Constantine (2005), que fez sucesso o suficiente para render uma série de TV em 2015. Ele trabalhou com Alice em seu mais conhecido filme internacional "Eu Sou A Lenda", e eu fiquei pensando que roteiro uniria esses dois novamente? Algum palpite?

4. Neill Blomkamp
Resultado de imagem para neill blomkamp

Esse é um dos diretores que figuram fácil nas lista de você tem que ficar de olho. Diretor do aclamado filme Sul-africano Distrito 09, ele não teve tanta sorte em Hollywood, com o futurista Elysium (2013), mas nada que manche seu prestígio ou sua mensagem social impactante. Ainda estou esperando ele trabalhar com a conterrânea Charlize Theron em algum filme solo da Furiosa de Mad Max (sonhar, não custa nada), e se tiver Alice em algum filme futuro, a gente comemora! No momento, ele estaria envolvido em um novo filme do Alien com a diva Sigourney Weaver.

3. Walter Salles
Resultado de imagem para walter salles
Um dos mais conhecidos diretores brasileiros da contemporaneidade Salles ficou mundialmente conhecido por um dos mais bonitos filmes nacionais da história: Central do Brasil (1998). Ele e Alice trabalharam juntos na adaptação do livro On The Road (2012), e na época da divulgação do filme Alice declarou que trabalhar com Walter era um dos motivos para ter aceito o papel no filme. Esperamos novas parcerias.



2. Fernando Meirelles
Resultado de imagem para fernando meirelles
E por falar em parcerias, esse diretor figura ao lado de Salles como um dos diretores nacionais mais queridinhos do público e da crítica. Apesar de ter seus últimos filmes não tão bem aceitos pelo público quanto os primeiros, Meirelles continua trabalhando bastante sendo um dos responsáveis pela direção da incrível abertura das Olimpíadas do Rio 2016. Uma outra parceira com Alice também seria ótima, já que os dois já trabalharam juntos em Cidade de Deus (2001), e Ensaio sobre a cegueira (2008), além de fazerem trabalhos publicitários juntos.

1. David Mamet
Resultado de imagem para cinturão vermelho david mamet
No alto da minha ignorância eu desconhecia o trabalho de Mamet, antes de Alice trabalhar com ele. Além de diretor, ele é roteirista, escreve peças de teatro, poemas e romances. Ele trabalhou com Alice em Cinturão vermelho (2009), onde roteirizou e dirigiu o filme que contava ainda com Rodrigo Santoro. Mamet é roteirista, entre outros filmes, do assustador Hannibal (2001).

Menções honrosas:

- Mini Kerti em "Muitos homens num só" (2015)
- Lina Chamie de "A via láctea" (2007)
- "Pablo Fendrik" em El Ardor (2014)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dubladoras da Alice

Achei no fórum 'dublanet' uma postagem interessante: Nomes das dubladoras que dão voz a Alice nas versões brasileiras dos filmes que ela faz. A lista principal é essa:
Dubladoras:
Priscila Amorim - Eu Sou a Lenda, Os Coletores, O Ritual
Alice Braga - Ensaio Sobre a Cegueira, Elysium
Letícia Quinto - Predadores, Cinturão Vermelho (TV)
Cássia Bisceglia - ​Na Estrada
Luciana Baroli - Só Deus Sabe
Raquel Marinho - 12 Horas Até o Amanhecer
Samira Fernandes - Território Restrito
Sylvia Salustti - Cinturão Vermelho

Alguns colaboradores trouxeram outros nomes/trabalhos como:
Cássia Bisceglia - ​Na Estrada
Interessante que segundo essa lista a própria Alice dublou Ensaio sobre a cegueira e Elysium! Não tinha reparado nisso, embora Alice falou sobre isso na divulgação de Elysium. 

Não tenho como confirmar esses nomes, mas parecem conferir com o que eu sei.
As pessoas que estão começando a ler o blog aguardo sugestões!

FONTE: Dublanet

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Entrevistas antigas: Revista Veja 2008


Edição 2049
27 de fevereiro de 2008
"Tudo é novidade"
Por Isabela Boscov

Jeff Vespa/Wireimage/Getty Images
Com um papel em Eu Sou a Lenda e outras quatro produções
estrangeiras por estrear, Alice Braga, de 24 anos, já construiu
a mais sólida carreira internacional de um intérprete brasileiro


Há um ano, Alice Braga não para em casa: revelada por Fernando Meirelles em Cidade de Deus, no papel de uma garota da Zona Sul que é objeto de desejo de um rapaz da favela, essa paulistana "da gema", como se descreve, engatou uma carreira internacional que já é mais prolífica que a de qualquer outro ator brasileiro até aqui. Além de Eu Sou a Lenda, a superprodução em que interage com Will Smith, Alice rodou recentemente quatro outras produções estrangeiras, nas quais divide a cena com Harrison Ford, Sean Penn, Jude Law e Forest Whitaker. Num desses filmes, Redbelt, uma história passada no mundo do jiu-jítsu, foi dirigida pelo dramaturgo David Mamet, um ícone do meio cinematográfico. Voltou a se reunir com Meirelles em Blindness, adaptação de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Aos 24 anos, faladora e "muito família", Alice ainda não prova do efeito colateral desse tipo de estouro: a celebridade. Está num momento em que a indústria já acompanha seu percurso com interesse, mas o público ainda não a reconhece. Ela conversou com VEJA em duas ocasiões nas últimas semanas – de Nova York e numa visita à família, em São Paulo.
Veja – Você tem apenas 24 anos e já montou um currículo internacional sem precedentes para um ator brasileiro. Ele é fruto de planejamento ou de acaso?
Alice – Eu sempre quis trabalhar com cinema, desde pequena, tanto faz se aqui ou lá fora. Cinema e ponto, esse era meu único plano. A partir do momento em que as portas começaram a se abrir, fui tocando de ouvido. Já fiz vários filmes no Brasil, começando por Cidade de Deus e depois Cidade Baixa, A Via Láctea e Só Deus Sabe, que é meio brasileiro e meio mexicano. E dei a sorte de engrenar também uma carreira fora do país. Digo sorte porque eu quero papéis que me desafiem, que me obriguem a crescer. Quanto mais oportunidades, portanto, melhor.
Veja – A fama mudou algo na sua relação com seus amigos?
Alice – É engraçado, mas tudo continua igual. Acho que é porque eu mesma não mudei. Chego ao Brasil e ligo para todos os meus amigos, procuro vê-los e estar perto deles. A verdade é que ainda não provei do que é a celebridade. Outra noite, uma moça me reconheceu no supermercado. Ela acenou para mim, eu acenei para ela, e continuei escolhendo minhas frutas. Isso aconteceu uma vez, em dez dias em São Paulo. O mais comum é as pessoas olharem para mim com aquela cara de que me conhecem mas não sabem de onde. O resultado é que eu também fico em dúvida se conheço a pessoa ou não. Minha irmã me manda parar de sorrir, diz que é claro que não é ninguém que eu tenha visto antes. Mas e se for? Sei lá, posso ter esquecido.
Veja – Você tem medo de se tornar uma celebridade?
Alice – Por enquanto, tenho mais curiosidade. É lógico que essa coisa dos paparazzi dá medo, por causa da invasão de sua privacidade e da de sua família. Mas não vivi nada disso, só sei pelas histórias dos outros. Cheguei aqui, por exemplo, e fiquei impressionada com o tamanho do Waguinho (Wagner) Moura hoje em dia. Acho que ele se assustou. Mas duvido que ele vá mudar ou deixar de ir ao supermercado e ao cinema. Você só passa a escolher melhor os horários em que vai sair por aí. Shopping center na sexta-feira às 6 da tarde, por exemplo, não dá.
Veja – Seus pais se preocupam?
Alice – Não, porque sempre tive o pé no chão, desde a adolescência. Os meus amigos ficavam doidos e eu tomava uma cerveja, pronto. Nunca fui baladeira. Adoro ir a festas na casa dos outros, mas não sou de boate. Se saio para dançar com as minhas amigas, é para dançar com elas, não para ficar aí pela noite.
Veja – Mas nesse meio a balada está lá, à disposição?
Alice – Sem dúvida – como em qualquer lugar do mundo e em qualquer meio. Se você quiser sair de segunda a segunda em São Paulo, não vai faltar aonde ir. Mas sou muito batalhadora para entrar nessa.
Veja – Você se preocupa com a ideia de ser tipificada como uma atriz latina?
Alice – Não mesmo. Uma atriz é uma atriz. Sou tão nova e tenho tanto a aprender que tudo o que vejo quero fazer, porque tudo é novo para mim. De mais a mais, sou latina e sul-americana mesmo. Isso não é uma tipificação, é o que eu sou.
Veja – Você imagina chegar a um ponto em que venha a inverter sua situação – ou seja, em que se mudará para os Estados Unidos e apenas visitará o Brasil?
Alice – Não. Primeiro porque os filmes americanos hoje são feitos em todo lugar, não só nos Estados Unidos. Agora, por exemplo, acabei de filmar Repossession Mambo em locação no Canadá, onde foi rodada também parte de Blindness, de Fernando Meirelles. Logo depois de concluir Eu Sou a Lenda, no ano passado, passei três semanas em Santa Catarina trabalhando num curta-metragem – daí fui para os Estados Unidos fazer Redbelt, com David Mamet. No segundo semestre, volto para fazer Cabeça a Prêmio, em que Marco Ricca vai me dirigir, e que temos de rodar antes que comece a estação das chuvas em Mato Grosso. Moro onde o filme está. Mas o Brasil é a minha casa, e não penso mudar isso.
Veja – Por que não?
Alice – Fico com muita saudade de casa. Sempre que posso, volto correndo.
Veja – Tem algum namorado nessa história?
Alice – Pulo tanto de lá para cá que acho que ninguém quer me namorar. Mas tenho muita vontade de ter uma família. Fui criada muito junto com meu pai, minha mãe e minha irmã, sou ligadíssima neles. Eles são supercorujas, carinhosos, sempre me deram a maior força. Nem vou começar a falar neles porque senão não paro. Minha família é, para mim, a base de tudo: quem eu sou, para onde eu volto.
Veja – Você usa o sobrenome da sua mãe, Braga, mas fala o mínimo possível sobre o fato de ser sobrinha de Sonia Braga. Vocês não são próximas ou é pudor de capitalizar a fama de sua tia?
Alice – Na verdade, passei a usar Braga em vez de Moraes, que é o sobrenome do meu pai, porque em pequena eu ia aos sets de filmagem de comerciais com a minha mãe e, como falo pelos cotovelos e sou muito extrovertida, começaram a me convidar para fazer comerciais também. O pessoal dizia: "Vamos chamar a Lili, a filha da Aninha Braga". E acabei virando Lili Braga. Mais tarde troquei o Lili por Alice porque depois de certa idade apelido não dá, né? Mas sou fã do trabalho da minha tia. Não a menciono muito porque nunca passamos grandes períodos perto uma da outra. Quando eu nasci, ela morava fora. Agora ela voltou e eu é que não paro aqui.
Veja – Quando um ator começa a despontar com força no cinema americano, como é o seu caso agora, habitualmente o agente dele o pressiona a aceitar trabalhos que rendam o máximo de exposição e de cachê, mas que nem sempre são os que o ator gostaria de fazer. Essa é também a sua experiência?
Alice – Desde 2003 sou representada nos Estados Unidos pela Endeavor, uma agência até bem grande. Mas me entendo às mil maravilhas com a minha agente. Ela sempre apoiou a minha decisão de continuar a filmar também no Brasil e jamais me pressionou a mudar de vez para Los Angeles. Também nunca tentou me empurrar projetos. Ela procura não necessariamente coisas em que eu apareça muito, mas sim em que eu apareça bem.
Veja – O cinema americano paga cachês tremendamente maiores que o brasileiro. O dinheiro é uma tentação na hora de escolher um projeto?
Alice – Dinheiro paga as contas, e não se deve fazer pouco da independência e da estabilidade que ele proporciona. Neste momento, por exemplo, estou passando umas semanas no Brasil, com a minha família, sem me angustiar por não estar recebendo neste mês. Mas estou tão no começo! O prazer de fazer uma coisa diferente, pela qual se tenha entusiasmo, é inestimável. Além disso, esse tipo de cachê que pode constituir uma tentação está bem fora da minha categoria. É coisa para gente muito maior do que eu.
Veja – À parte alguns flashbacks, em Eu Sou a Lenda você é a única pessoa que contracena com Will Smith. Como surgiu essa oportunidade?
Alice – Quando eu estava lançando Cidade Baixa no Festival de Sundance, minha agente me avisou do teste para Eu Sou a Lenda. Fiz a audição com a produtora de elenco e voltei para o Brasil. Nem pensei mais no assunto. Nesse meio-tempo, o diretor Francis Lawrence, o roteirista Akiva Goldsman e Smith viram o videotape, gostaram e me convidaram para fazer uma leitura. Não basta que o ator pareça bem no teste; é preciso se certificar de que existe uma química interessante entre ele e o protagonista. Então fiz a leitura com Will Smith e aí... rolou.
Veja – Você é naturalmente mignone, mas está magérrima em Eu Sou a Lenda. Os produtores exigiram que você perdesse peso?
Alice – Fiz oito meses de dieta puxada – eu e Will Smith. Num mundo pós-apocalíptico, certamente esses personagens não estariam indo à pizzaria toda semana. Fiquei um mês sem comer nada de carboidrato, só proteínas e vegetais, sem sal e sem temperos. Depois introduzimos um pouco de fruta na dieta – mas só um pouco. E todos os dias eu corria 8 quilômetros de manhã e, à tarde, malhava. Minha mãe ficou toda preocupada. Mas se sentir faminta e no limite do seu físico ajuda você a entender o que o personagem estaria passando.
Veja – Em Eu Sou a Lenda, seu inglês chama atenção não só pela fluência, mas também pela pronúncia e entonação precisas. Você já falava bem inglês antes de começar sua carreira estrangeira?
Alice – Estudei inglês desde pequenininha. Hoje em dia agradeço a meu pai por sempre ter me obrigado a seguir as aulas, mesmo quando eu ficava com preguiça e inventava desculpas para parar. Mas, até trabalhar fora do Brasil, eu não falava com a fluência e a naturalidade de alguém que tivesse morado fora. Quando começaram a pintar essas oportunidades, voltei então a me dedicar à língua. Para Eu Sou a Lenda, tive um dialect coach, um profissional que ajuda não só a limpar o sotaque, mas, nesse caso, a melhorar a dicção e aprimorar a entonação. Quando uma pessoa fala uma língua estrangeira, ela tende a transferir sua entonação nativa para o segundo idioma – o que não só muda o sentido do que é dito como desvia a atenção do conteúdo para a forma, por assim dizer. A preocupação, então, era que minhas falas soassem claras e também naturais. Para isso, é preciso treinar até que todas essas regras se tornem inconscientes. Senão, na hora de fazer a cena, você só pensa no que está dizendo, e não na atuação, como deveria.
Veja – Em abril estreia nos Estados Unidos Redbelt, que você e Rodrigo Santoro fizeram com o cineasta e dramaturgo David Mamet, um dos nomes mais celebrados do meio. O que você aprendeu com ele?
Alice – Trabalhar com Mamet foi maravilhoso. Sempre admirei não só as peças e os roteiros dele, mas também os livros de cinema que ele escreve, que são ótimos. Ele é um ícone, e me senti tremendamente honrada – além de apavorada. Mas ele me guiou o tempo todo. Apesar da fama de bravo, ele é um homem carinhoso, doce, que pega você pela mão. Esse foi um ano especial porque aprendi coisas diferentes com cada uma das pessoas com que trabalhei. Com Mamet, aprendi a mergulhar nas nuances do texto, a pesar as palavras e entender a maneira como elas devem ser ditas para atingir o efeito que se pretende. O roteiro dele é algo que nunca vi: vem com todas as palavras em que a ênfase deve recair sublinhadas. É quase uma partitura – e ninguém ousa improvisar ou mudar uma letra do que ele determinou.
Veja – Redbelt é uma história passada no mundo do jiu-jítsu. Como algo tão brasileiro foi parar na mão de David Mamet?
Alice – Ele faz jiu-jítsu há seis anos com um professor brasileiro e é louco pelo esporte. Daí esse enredo sobre um clã ligado ao jiu-jítsu. Eu faço a princesinha da família, casada com um lutador, interpretado pelo inglês Chiwetel Ejiofor, que acha que os campeonatos são um desvirtuamento da filosofia da luta. O engraçado é que não tenho nenhuma cena no filme com Santoro, que faz um empresário do meio.
Veja – Que outros trabalhos internacionais você já completou?
Alice – Acabei de filmar Repossession Mambo, uma ficção sobre o comércio de órgãos com Jude Law e Forest Whitaker. Esse deve ser lançado só em 2009. Em Crossing Over, que tem estréia prevista para junho nos Estados Unidos, faço o papel de uma imigrante ilegal detida na fronteira mexicana. O roteiro trata da imigração de um ângulo que tem sido pouco abordado: não só o das pessoas que estão cruzando a fronteira, como é o caso da minha personagem, mas principalmente do ponto de vista de gente que está nos Estados Unidos há vinte anos, construiu lá uma vida, e cai na malha da fiscalização.
Veja – Seu papel em Crossing Over é pequeno, mas os atores com os quais você contracena são do primeiríssimo time.
Alice – Pois é, a maioria das minhas cenas é com Harrison Ford, que faz um agente federal do Departamento de Imigração, e com Sean Penn, que interpreta um patrulheiro de fronteira – aqueles policiais que ficam dentro do carro, no deserto, à espera de observar alguma movimentação suspeita. Ele é o patrulheiro que me apreende.

Veja – Você é daqueles atores que só enxergam defeitos quando se vêem em cena?
Alice – Sempre penso que poderia ter feito isso ou aquilo de um jeito diferente, o que é uma reação absolutamente comum. Mas vejo os trabalhos que fiz um, dois ou três anos atrás quase como se fossem de outra pessoa. Tento não me julgar demais pelo que já ficou para trás. A gente nunca se banha no mesmo rio duas vezes, certo? Ele está sempre passando.

Fonte: VejaOnline