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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Alice na revista 29 horas

Alice é capa da revista 29 horas. A revista 29HORAS está disponível na sala de embarque e desembarque do aeroporto de Congonhas. Você também pode folhear pelo link do ISSUU. É só clicar nos prints abaixo, você vai ser redirecionado e pode ler a entrevista completa.

A entrevista é bem interessante. Alice fala sobre a carreira, seu novo documentário Awavena, e a revista conta que Alice assinou ao Time's up também! Se você tem estado em uma caverna nos últimos tempos, o Time's up é o movimento contra o assédio sexual no ambiente de trabalho.

Olha que linda:




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Atualização da semana

Sextou. Carnavalizou. E Alice e a turma de Queen Of The South continuam em Malta, filmando  a nova temporada. Alguns membros da equipe como a @sarinahofficial, postaram imagens das gravações. 
Best team everrr....! It's a wrap on set Queen of the South with main actress in the middle, Alice Braga 
#wrap #queenofthesouth #teamwork #malta #queenonusa #filmlocation #filmcrew #locationsteam #crew #blessed #smile #beautiful #tvshow #followme
I feel so privileged that I worked with this beautiful soul, amazing actress Alice Braga, the main actress of the usa TV show 'Queen of the South'. Some moments are SIMPLY unforgettable..What a special cast & crew💓.Thank you so much!
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#queenofthesouth #malta #wrap #queenonusa #usa #alicebraga #setlife #tvshow #workinginfilm #netflixseries #production #lovemywork #filmlication #valletta #onset #behindthescenes #followme #blessed #brazil #locationsassistant #momentslikethese #tvset #lovemylife #queenofthesouthtv #cameracrew #filmcrew

O ator Ivan Sanchez que fez a novela La Reina Do Sur vai reprisar seu papel em Queen Of The South. O nome do personagem é Galego e parece que ele vai causar muito na série. O ator também está em Malta filmando. Ansiosos pela terceira temporada de QOTS?
El gallego y la mexicana 😉
@Regranned from @ivansanchezz - 🎬... #Lucky to share with this great #team!! / Afortunado de compartir con este gran equipo!!.... @alicebraga_oficial @hemky @davidtfriendly @nataliechaidez #DavidBoyd & the @queenonusa crew!! 😉💪🏻 #AliceBraga #IvanSanchez #Teresa #SantiagoFisterra #Malta #LaValetta #shooting #whiteandblack #blancoynegro #Working #OnSet #BS4
Alice e Ivan Sanchez. 
Ah, e Alice é capa da revista 29 horas na edição de fevereiro. Olha que linda. Caso eles liberem fotos e/ou entrevista, eu coloco aqui.Na capa de fevereiro da revista 29 horas, ‘As causas de Alice Braga’ 💜
#alicebraga #29horas #fevereiro

sábado, 24 de junho de 2017

DVD de A Cabana já está disponível

                         O DVD de "A Cabana" já está disponível nas principais lojas do ramo.

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Ficha Técnica : 


Gênero: Drama
País De Origem/Ano: Eua/2016
Elenco: Sam Worthington, Octavia Spencer, Tim Mcgraw
Direção: Stuart Hazeldine
Formato De Tela: Widescreen
Idioma Do Áudio: Dolby Digital 5.1 Português, Inglês
Idioma Da Legenda: Inglês, Português
Classificação Indicativa: 12 Anos, Consumo De Drogas Lícitas , Contém: Violência
Quantidade De Discos: 1
Duração: 132 Min

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Top05: cinco melhores capas de revista da Alice

Com o impacto das fotos da Alice na @gizbrasil [essa capa, é um espetáculo, hein? A mulher não tem uma grama de gordura!] resolvi selecionar as minhas cinco capas preferidas da Alice. Vamos ver se vocês concordam ou não?

5. Vanity Fair (USA)
Fotografada pela lendária Anne Leibovtz, Alice divide a capa com outras atrizes apontadas como promessas da sua geração (cata a lista abaixo), apesar disso, essa edição é muito importante para Alice que é (até onde eu sei) a única brasileira a participar desse formato de capa que rola quase todo ano na Vanity Fair.
Emily Blunt, Amy Adams, Jessica Biel, Anne Hathaway, Alice Braga, Ellen Page, Zoe Saldana, Elizabeth Banks, Ginnifer Goldwin e America Ferrera
                          Aproveitando e postando imagens "inéditas" dos bastidores dessa foto.
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4. GizBrasil
                                "Nenhuma nudez será castigada"
Revista @gizbrasil com Alice na capa! 
Lançada hoje 😁 
#alicebraga #gizbrasil
Nem precisa explicar, né? Não gostei muito da matéria porque o editor/jornalista nem disfarça que não se deu bem com a equipe da Alice, e a equipe pode até ser chata, mas achei anti profissional da parte dele fazer uma matéria completa sobre isso. Em compensação, as fotos da edição trimestral da revista são lindas e na matéria ele deixa bem claro que Alice é super tranquila de lidar.
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Foto: Christina Gaul

3. TPM

Alice já foi capa da TPM (é Tpm ou é Trip?) três vezes e eu amo como ela tá três pessoas diferentes em cada capa. Na primeira ainda na época de Cidade de Deus ela tá toda moleca, de camisa e jeans, em uma entrevista posterior Alice declarou que essa capa foi meio um prenúncio do futuro da sua carreira já que foi a primeira grande capa de revista e ela está com uma blusa escrito "New York", meses depois Alice iria se mudar para a cidade, e ganhar os cinemas internacionais.
Na segunda capa Alice tá mais girly. A capa foi logo depois da primeira série de grandes trabalhos internacionais da Alice, como Eu sou a Lenda e Repomen.
A terceira capa é 'dois em uma' e brinca com o estereótipo de diva e as atrizes na vida "real". Pra ser bem sincera Alice tá praticamente a mesma pessoa, né? Eu ainda prefiro a capa que ela tá mais simples porque Alice tá sorrindo.

2. Trace Magazine (USA) março de 2007

Não vou nem dizer nada.
                                     






1. Vanity Fair Espanha
Sou louca para saber sobre o que Alice fala nessa entrevista. Infelizmente nunca vi os scans, e não acho a matéria online sobre essa entrevista, em novembro de 2008. Alice tá uma diva, a chamada da revista é maravilhosa, e essa é de longe minha capa preferida dela.

Para conferir os scans da Alice na Trace Magazine em melhor qualidade: AngelaCravens.com

Entrevista de Alice para a gizBrasil

Já tinha postado a matéria da revista e agora posto a entrevista:


Quando você foi convidada a interpretar Tereza Mendonza em Queen of the South, já tinha certa intimidade com a personagem – havia lido o livro de Arturo Pérez-Reverte oito anos antes. Como esse “preparo acidental” interferiu na sua atuação?

Eu aceitei fazer a série porque gostava muito do livro. Queria interpretar a Tereza Mendonza criada pelo Arturo Pérez-Reverte. O livro está sempre ao meu lado, a cada segundo que ando pelo set. Mesmo os roteiristas mudando a jornada da Tereza do livro para essa adaptação americana, eu tentei honrar a Tereza da obra literária, tentei me apoiar aos detalhes dela, às nuances que o escritor criou.


Nesses tempos bicudos, em que o ser humano precisa rever os caminhos que está trilhando, quem são os autores ou autoras que você recomendaria ler?

Mais do que nunca precisamos voltar a ter um olhar mais leve sobre o outro, sobre o mundo e as coisas. Impossível não pensar em Jorge Amado e Gabriel García Marquez.

Embora o foco de Queen of the South seja a Tereza Mendonza – e não a cocaína, qual é a sua opinião sobre a legalização das drogas?
Sou sim a favor da legalização das drogas e do uso controlado delas. É um problema de saúde pública e não de segurança. Nos países onde há a legalização os índices de violência costumam cair bastante.

À Interview (na verdade ao Wagner Moura, que foi quem te entrevistou), você disse não ser uma atriz internacional, mas sim uma “atriz que trabalha internacionalmente”. E que gostaria de trabalhar com os diretores que admira no Brasil. Quem seriam eles e quais projetos te interessam?
Estou com muita vontade de voltar a fazer projetos mais autorais. Nomes como Felipe Hirsch, Lucrecia Martel, Gabriel Mascaro, Anna Muylaerte, Steve McQueen, Karim Ainouz, Andrea Arnold e Pablo Larraín me interessam muito.

Você tem a sua própria produtora de filmes, a Los Bragas, com sua irmã e cunhado, aqui em São Paulo. Sua tia e mãe são atrizes. Você pensou em ser qualquer coisa que não fosse atriz?
Sempre sonhei em estar no universo do cinema. Por causa dos meus pais, desde pequena frequento sets de filmagem e me foi mágica a ideia de que no cinema não se faz nada sozinho. Trabalhar em equipe é a única forma de realizar um projeto. Isso sempre me foi fascinante. Se não fosse atriz, acho que estaria em alguma função atrás das câmeras.

Como você dosa projetos comerciais (do tipo que fazem dinheiro entrar e a roda girar) com outros projetos mais conceituais (do tipo que alimentam a alma)?
Sempre busquei os projetos que me encantavam através das pessoas envolvidas, seus roteiros e ideias. As portas foram abrindo e eu fui me jogando. Ultimamente isso vem mudando. Ando pensando mais no próximo passo, quais projetos quero de fato fazer e quais diretores me fascinam. Acho que é a idade (risos).

Dizem que a indústria cinematográfica é preconceituosa e regida por padrões estéticos/morais vigentes – que mudam a cada nova vigência. Você sente isso? De que maneira lida com isso no seu dia a dia sem fritar os miolos?
Infelizmente, preconceito está em todos lugares e não é uma exclusividade do meio cinematográfico. Eu mesma me policio para não ser preconceituosa. O preconceito muitas vezes nasce do medo do desconhecido. Procuro ao máximo me informar antes de gerar minhas opiniões e conceitos na vida.

É mais fácil ser mulher ou ser latina na indústria cinematográfica?
É mais desafiador ser uma mulher latina (risos).

Você se considera uma feminista?
Muitas vezes feminismo é visto como radicalismo. Sou a favor da igualdade de direitos. Sou a favor dos direitos humanos.

Sendo uma figura pública, cuja opinião e imagem atingem grandes massas populacionais, você acha importante se posicionar politicamente?
Acho que parte de cada um querer se posicionar. Não é porque a pessoa é notória que ela tem a obrigação de declarar sua opinião. Como você mesmo disse, a opinião de uma pessoa pública atinge grandes massas. Acredito que o mais importante é ter consciência disso.

De um lado, Michel Temer, presidente interino no Brasil, sua pátria. Do outro, Donald Trump, novo presidente dos EUA, país onde se concentram seus principais trabalhos no momento. Ambos forças conservadoras. Como é para você habitar esses dois contextos sócio-políticos tão pessimistas?
Difícil entender como logo após um governo tão transformador como o de Barack Obama, Donald Trump, ser eleito. Mas parafraseando o próprio presidente Obama, a história é composta por ciclos que nos movimentam pra frente e pra trás; movimentos conservadores e movimentos vanguardistas, assim é composta nossa história. Tenho esperança da geração futura, que batalha por um mundo sustentável, que ocupa escolas, que pensa em novas identidades de gênero (vide a última capa da National Geographic sobre o tema). Busco ser otimista apesar de tudo e principalmente acho importante nesses momentos de polarização não incitar ódio e nem raiva.

Existem atualmente em trâmite no Brasil 42 projetos para hidrelétricas ao longo da bacia do rio Tapajós, suportando a vida de etnias, flora e fauna nativas desde tempos inaugurais. Qual a lembrança mais forte de sua visita à etnia Munduruku? O que você aprendeu de transformador na semana em que passou com eles?
A convite do Greenpeace, passei quatro dias com os Munduruku, na aldeia Sawre Maybu, hospedada à beira do rio. Foi minha primeira visita à Amazônia. Lembro-me muito das conversas com os caciques, das histórias contadas e, principalmente, a sabedoria deles sobre o rio e as espécies da região. Pensar nos dias de hoje em construir hidrelétricas que não somente irão destruir a vida desse povo, mas também a natureza é absurdo. Existem outras formas possíveis de energia que não essa. Isso já está mais que comprovado. Realmente, espero que o governo não revogue a decisão sobre o veto à construção no Tapajós.

Você disse (à Interview) que Cidade Baixa, em particular a atuação de Wagner Moura e Lázaro Ramos, mudou sua perspectiva sobre o que é atuar. Como foi isso?
Wagner é um ator completo. Vive e atua com alma, em tudo que faz. A verdade que ele trouxe às cenas e a intensidade em seu olhar me fascinam. Ali vi que o mais lindo nessa profissão é viver, viver o momento, viver a verdade, acreditar e fazer com alma cada segundo. Isso me inspirou e me inspira até hoje.

Você fez psicanálise?
Nunca fiz psicanálise, mas faço terapia. Interesso-me pela psicanálise, talvez algum dia ainda faça… É importante para o autoconhecimento.

Onde você mora exatamente?
Na realidade, moro onde meu trabalho me leva, mas São Paulo é e sempre será minha casa. É pra onde eu volto.

Você gosta de arquitetura e design?
Aprendi a admirar arquitetura e design através do olhar da minha mãe, que é grande apaixonada pelo tema. Ela que me introduziu a Sergio Bernardes, Paulo Mendes da Rocha e Isay Weinfeld e também aos móveis de Sergio Rodrigues. Nas minhas casas coloco o funcional à frente da beleza. Mas adoro quando as duas características se unem, por isso gosto tanto da Lina Bo Bardi e do Sergio Rodrigues. A clássica poltrona Mole, por exemplo, é superconfortável e belíssima.

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Foto: Chritian Gaul
Alice veste calça e top Egrey, sapatos Christian Dior, joias H.Stern
Fonte: GizBrasil

segunda-feira, 27 de março de 2017

Alice através do espelho

                                  "Nenhuma nudez será castigada"
Revista @gizbrasil com Alice na capa! 
Lançada hoje 😁 
#alicebraga #gizbrasil


O dia em que a bela, inteligente, talentosa, internacional e indomável Alice Braga, atualmente a atriz brasileira mais bombada na gringa, posou para ensaio de cadeiras na GIZ

POR:ALLEX COLONTONIO
FOTOS:CHRISTIAN GAUL
MODA:ANA WAINER
BELEZA:GUI CASAGRANDE

Com talento avassalador que cruzou o Atlântico feito um meteoro e carimbou um quase inatingível green card em Hollywood, até se tornar fetiche para toda sorte de publicações, Alice Braga é um dos orgulhos nacionais mais legítimos numa era de crepúsculos ufanistas, em que nosso filme quase tostou lá fora entre escândalos políticos e decapitações democráticas.
Nascida em 15 de abril de 1983, em São Paulo, a “menina da Vila Madalena” deu de cara com a indústria do entretenimento na primeira infância. Cresceu em sets de filmagens com a mãe, a assistente de direção Ana Maria Braga (nada a ver com a loira e seu inseparável Louro José). O pai, o jornalista Nico Moraes, apoiava. E ela correu atrás. Contracenou com Wagner Moura (Cidade Baixa, 2005), Will Smith (Eu Sou a Lenda, 2007), Julianne Moore (Ensaio Sobre a Cegueira, 2008), Harrison Ford (Território Restrito, 2009), Adrien Brody (Predadores, 2010), Jude Law (Repo Men, 2010), Anthony Hopkins (O Ritual, 2011), Gael García Bernal (O Ardor, 2014) – só para citar alguns.


Abocanhou prêmios importantíssimos e teve um número incontável de indicações nesta e em outras terras. É também a segunda brasileira (a primeira é a pouco falada Morena Baccarin, no ar em Gotham) a protagonizar uma série de TV norte-americana: Queen of the South, onde interpreta uma chefe latina do tráfico nos EUA.
Nas paralelas, é uma das três cabeças por trás da Los Bragas, produtora bacanuda que toca ao lado da irmã e do cunhado.
Alice nunca se debruçou à sombra da tia famosa que ajudou a pavimentar a estrada para ela (e para todos que viriam depois de O Beijo da Mulher-Aranha, longa de Hector Babenco que funcionou como coiote para a carreira de Sonia Braga passar facinho pela imigração, em 1985).

Conquistou, sozinha, seu lugar ao sol. E, duas semanas antes do Natal, apertamos o play numa operação de guerra para fotografá-la. A oferta para a nossa capa partiu de sua própria entourage e, mais do que instantaneamente, furamos a fila para eles. Apesar disso, as tratativas foram desgastantes, calcadas por lombadas, loopings, bifurcações, conflitos de interesses entre equipes e cancelamentos que, por muito pouco, não me causaram um AVC.
Tamanha foi a blindagem em torno da atriz, com mandos e desmandos impublicáveis (um dia conto tudo pra vocês lá no portal) que, no dia do shooting, esperava receber uma prima donna intratável. Errei feio. Poucos minutos depois, a Alice que desponta no estúdio reluz feito um raio de sol. Veste blusa azul de alcinhas, uma pantalona fresh e rasteirinhas. Parece pronta para a foto: cabelos soltos, olhões expressivos, sorrisão farto. Linda, cativante, absolutamente easygoing. Cumprimenta um por um com beijinhos e me abraça como se fôssemos velhos amigos. Transita pelo backstage interessadíssima nos móveis (curadoria feita a partir das formas mais voluptuosas da história do desenho industrial, que compunham o moodboard “mobília para vestir”, conceito deste ensaio que se conecta ao tema Nenhuma Nudez Será Castigada). Reconhece algumas peças, quer saber sobre outras. “Essa é do Sergio Rodrigues, né? Amo! Aquela é do Philippe Starck?”.

Christian Gaul, uma das lentes mais incensadas da fotografia nacional, se senta na poltrona Cone Heart Chair e mostra a pose que imaginou para a capa. A entourage acha aquilo muito vulgar, que não tem nada a ver com ela. Todos contestam e o pseudo-veto é voto vencido. Ela comemora ao ver o take no monitor: “Wow! Diz que essa vai ser a capa, por favor?”. É claro que foi.
“Na próxima encarnação, quero voltar pelo menos dez centímetros mais alta”, brinca enquanto a stylist tenta ajustar as barras de alguns vestidos. Alguém diz que não precisa de nem um milímetro a mais. Concordo: tal e qual a Marina Morena da canção do Caymmi, ela é linda com o que Deus lhe deu. Do alto de seus 1,63 metro, tem uma pele imaculada à prova de qualquer Fresnel ou high resolution, e um sorriso que desata qualquer nó. Olha sempre no olho da gente, sem desviar e sem fazer média. Inteligente e articulada, também é leve, zen. Aparenta ter menos de um porcento de gordura no corpo e cada músculo delineado escultoricamente reflete um estilo de vida saudável de alguém que se cuida de dentro pra fora e de fora pra dentro.
Hora de fotografar na poltrona Bowl de Lina Bo Bardi. Alice corre descalça pelo estúdio: “Só aguento o saltão na hora da foto, fiz agachamento ontem e tá tudo dolorido”.

Como na Roma Antiga, àquela altura, a entourage e o crew de GIZ estão se digladiando na arena – ambos em busca da foto perfeita, cada qual com seus argumentos e paranauês. Alice, profissionalíssima, dá o melhor de si e estrela uma sequência espetacular de caras, bocas, dentes e músculos – ainda que em apenas quatro ou cinco das dezenas de móveis espetaculares que pinçamos a dedo para ela, e que a entourage vetou ao classificar como “catálogo de cadeirinhas”, apesar das negociações prévias.
Alice posa para selfies com todo mundo. Se despede e agradece, diz que adorou e nos deixa, pontualmente, às 16h daquela terça-feira quente de dezembro, quatro dias antes da visita de Santa Claus.
Não tive direito à entrevista cara-a-cara pré-acordada (ela responderia dias depois, por e-mail, via entourage) e 288 fotos das 301 clicadas foram sumariamente gongadas pela turma. Mas Alice, por si só, segura a onda e estampa essas páginas com graça, categoria e boas vibrações. O resto são miudezas.


Fonte: GizBrasil

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Entre Idas e Vindas | Entrevista - Ingrid Guimarães e Alice Braga

Já está no cinema, hoje oficialmente, Entre Idas e Vindas, o novo filme nacional com Alice:

Confira abaixo uma nova entrevista do elenco:



Vou assistir só no sábado :( mas assim que puder posto minha modéstia opinião sobre o filme aqui no blog ;)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Entrevista de Alice e matéria sobre QOTS no The Guardian



Alice Braga durona como a anti-heroína das drogas em Queen of the South.
Por Jeff Pfeiffer


"Você não vai gostar de mim", Teresa Mendoza adverte aos telespectadores logo no início da série Queen of the South (que estreia na quinta-feira), a adaptação da popular telenovela em língua espanhola La Reina del Sur (baseada no romance best-seller por Arturo Pérez-Reverte, que é também de onde a série se baseia). Mas, quando Teresa começa a nos levar de volta e contar a história de como ela subiu de circunstâncias pobres no México para se tornar uma poderosa senhora das drogas na América, nós realmente gostamos dela, até certo ponto, da mesma forma que muitos espectadores começaram a torcer por Walter White em Breaking Bad.

É o apelo de que o arquétipo do anti-herói entrou em voga na TV nos últimos anos, mas é normalmente visto através da lente de um personagem masculino. Em Teresa, temos uma das raras anti heroínas do sexo feminino na televisão, bem como a complexidade de um personagem tão atraente para a atriz brasileira Alice Braga, que a interpreta.

"É um personagem muito interessante," Braga nos disse. "Ela é alguém muito controversa no sentido de que ela se torna uma traficante de drogas, especialmente uma vez que nós não vemos muitas mulheres nessa posição. ... Eu amo que ela não se vitimiza. Há algo que eu sempre pensei quando eu estava a interpretando, que é que os heróis não são vítimas. Ela não se vitimiza ou sente pena de si mesma, e acho que é por isso que ela se torna o que ela se tornou".

Além de ver o que Teresa torna-se no início da série, nós - e Teresa - também temos vislumbres de seu próprio futuro de "rainha" por meio de uma técnica interessante que a série usa. A jovem Teresa, ainda na corrida e lutando, vê em sua mente, particularmente durante momentos muito estressantes, sua persona mais madura, que está avisando a ela sobre o sucesso que a espera. Isso exigiu que Braga interpretasse fases diferentes da personagem em um mesmo ponto da história.

"Eu tentei entender como eu [iria] de uma para a outra", explicou Braga "e [Eu estava] interpretando com uma linguagem corporal diferente porque é uma caracterização completamente diferente, uma postura completamente diferente e uma pessoa completamente diferente. Porque uma ainda é um pouco ingênua, mais frágil e apenas uma mulher jovem tentando sobreviver, e a outra é uma mulher forte e poderosa. Eu ainda estou aprendendo a desvendar as duas, mas é um bom desafio. "

Traduzido e adaptado de: TV Weekly

Confira ainda a tradução de uma matéria super legal do jornal britânico The Guardian que fala sobre os prós e contras da série:

Rainha do Sul: a história viciante de uma baronesa da droga estilo Narcos

Vagamente baseado em uma história verdadeira, esse show emocionante coloca uma rotação diferente sobre o drama do narcotráfico - e o personagem principal é uma MacGyver Latina, mas com um cabelo melhor.

Qual é o nome desse show? Queen of the South

Quando ele deve estrear? Quinta-feira 23 de junho, às 10h

Sobre o que é este programa ? Teresa Mendoza (Alice Braga) começa como uma pobre cambista humilde no estado mexicano de Sinaloa, mas sobe para gerir seu próprio cartel de drogas.

Então, é como Narcos feminino? Sim, um pouco, mas isso é um pouco redutor. Esta série é baseada em uma novela popular, La Reina del Sur, que foi ao ar na Telemundo, que em si é uma adaptação de um romance espanhol com o mesmo nome de Arturo Pérez-Reverte. O livro é baseado na vida da traficante Marllory Chacón. Então, sim, como o excelente Narcos da Netflix, sobre a vida de Pablo Escobar, é um drama narco vagamente baseado em eventos reais, mas o espírito do empreendimento é diferente.

O que acontece no primeiro episódio? Vimos pela primeira vez o grande sucesso de Teresa quando ela é morta a tiros em sua mansão. A ação volta para seus primeiros anos, quando ela encontra pela primeira vez um traficante de drogas e se apaixona, elevando seu status social consideravelmente. Quando o namorado rouba um líder de cartel, Don Epifanio (Joaquim de Almeida), ele acaba morto e os homens de Don Epifanio estão atrás de Teresa para amarrar todas as pontas soltas. Ela pega o dinheiro, a cocaína, a arma e o misterioso caderno que ele lhe deu e sai para tentar salvar a própria vida.

Existe um monte de ação? Eventualmente. Em primeiro lugar, há um monte de exposição sobre quem Teresa é e seu lugar no cartel, o que é ainda mais notório por uma narração, que é, por coincidência, também o pior aspecto de Narcos. No entanto, uma vez que a perseguição começa é uma perda depois da outra. Teresa corre, se esconde, explode alguns carros, dispara em alguns caras e faz qualquer coisa para escapar. O que faz ela fascinante não é observar o movimento cinético (que é bem filmado em tons arenosos), mas vê-la tentar se safar de situações difíceis usando seus recursos limitados. Ela é como uma MacGyver Latina, mas com o cabelo muito melhor.

É bom? É muito bom, na verdade, mas os telespectadores terão de lhe dar um pouco de tempo. No começo o show parecia desajeitado e bobo, com Teresa se intrometendo no negócio de Don Epifanio e bisbilhotando a luta entre ele e sua esposa, a  cruel Camila (Veronica Falcon). Então, ela está deitada em uma banheira assistindo Scarface na televisão, e é apenas um pouco óbvio. Parece que ela está tentando ser esperta e elegante e está falhando miseravelmente.

A próxima coisa que você percebe, é que você vai ser sugado para a história de Teresa, não só porque ela está literalmente correndo para salvar sua vida, mas também porque não tem havido um personagem semelhante a ela na televisão antes. É fácil dizer que ela é um Walter White mulher, mas suas motivações são completamente diferentes. Cada anti-herói masculino na televisão (e tem havido mais do que Donald Trump tem concordatas) é compelido por razões principalmente egoístas, especialmente White, que diz que ele está cozinhando metanfetamina para ajudar a sua família, mas ele está realmente fazendo isso para alimentar seu próprio ego.

Teresa, por outro lado, é forçada a esta situação onde ela tem que ser mortal e conivente como uma questão de sobrevivência. Ela é vítima de um sistema onde ela só vai prosperar, alinhando-se com um homem, mas onde essa aliança também leva à sua destruição. Quem pode culpá-la por revidar? Torcemos para ela como um ato de desafio contra o sistema que a criou. Teresa é a agressora, mas ela também é vítima e é uma dinâmica fascinante para assistir

Somente o primeiro episódio foi disponibilizado para os críticos, por isso é difícil julgar como Queen Of The South vai soar como uma série de forma geral, mas o piloto é um dos melhores que já vi em muito tempo.

O canal USA normalmente não faz apenas séries bobas? Sim, no passado ele era conhecido por programas como "Burn Notice", "Psych" e "Royal Pains", mas com a estreia do acerto crítico de "Mr. Robot" no último verão, está oferecendo um material mais dark e ambicioso. Queen Of The South não é um "home run" óbvio, como Mr Robot (especialmente julgando apenas um episódio), mas mostra que a equipe de desenvolvimento da USA está levando a sério sua nova direção e fazendo um ótimo trabalho selecionando projetos.

O que há de errado com o show? O maior problema é o uso do espanhol. Os personagens quase sempre falam inglês, o que é não realista, mas, vamos ser francos, o público americano é demasiado preguiçoso para assistir algo com legendas. No entanto, ocasionalmente os personagens soltam espanhol em palavras, frases ou frases completas. Não há nenhuma razão para eles usarem a sua língua materna e ter a mistura de duas línguas não faz parecer mais autêntico - apenas alerta o espectador para o fato de que eles deveriam estar falando em espanhol o tempo todo.

Há mais alguma coisa que é grande sobre o show? Em vários momentos eu notei o quão maravilhosa a trilha eletrônica é pulsante e então notei nos créditos finais de que é por conta do pioneiro musical Giorgio Moroder. Isso é apenas a cereja no topo do bolo.

Devo assistir a este show? Sim, você deve. É ambicioso, diferente e cativante, mesmo que apenas  a primeira hora. Como o resto da temporada vai moldar-se é uma incógnita, mas se potencial fosse cocaína, este show teria montes dele empilhado na mesa de café.

Fonte: The Guardian

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Entrevista para a Backstage

Queen B em nova capa e com entrevista nova, tradução exclusiva aqui no Alice Braga Fã. Falta uma semana exata para a estreia da série!

Antes que houvesse Pablo Escobar e "Narcos", havia Teresa Mendoza e "La Reina del Sur"; agora há a sua adaptação em língua inglesa, do USA: "Queen of the South". Embora Teresa seja uma personagem fictícia, há paralelos suficientes com a líder do notório cartel de drogas mexicano, a "Rainha do Pacífico" Sandra Ávila Beltrán que serviu como um ponto de referência para a estrela revelação da série: Alice Braga.

"Claro que você precisa olhar para essa louca, assustadora, aterrorizante mulher, ainda que Teresa não seja assim", Braga diz de sua outra inspiração da vida real, Griselda Blanco, a "madrinha da cocaína" dos anos 70 e 80, que supostamente cometeu mais de 200 assassinatos antes de ser morta a tiros em Medellín, Colômbia, em 2012 (no mesmo ano, Business Insider* valorizou seu império em US $ 2 bilhões).
Teresa vai fazer lucros semelhantes depois de seu início cometendo pequenos delitos nas ruas do México, onde ela conhece e se apaixona por Güero (Jon Ecker) membro do cartel, e logo vai viver a vida abundante de namorada de um traficante de drogas. Convivendo com o mais alto escalão de narcotraficantes do México, ela leva a culpa depois que o plano de Güero em  lucrar com ambos os lados da lei é descoberto.
Onde alguns encaram a morte e olham para Deus, Teresa não vê nada além de seu próprio futuro, ostentando um penteado elegante, óculos de sol de tamanho grande, e um terno branco imaculado. Esta Teresa é um contraste gritante com a mulher suja de camiseta temendo por sua vida. É uma visão sedutora do que está por vir, tanto para Teresa como para Braga, em seu primeiro grande papel na televisão.

O romance best-seller internacional do autor espanhol Arturo Pérez-Reverte em que a série é baseada foi à primeira introdução de Teresa para Braga e permaneceu sua fonte principal ao longo das filmagens; a atriz diz que ela devorou ​​o livro mais de sete anos atrás e se apaixonou pela personagem imediatamente. "Eu me baseei muito no livro, mesmo que mudem [ele] completamente [no roteiro]", diz ela. "Eu queria interpretar esse personagem, porque é isso que me levou a fazer a série."
A história da rápida ascensão de uma mulher, em um comércio onde as mulheres são frequentemente escaladas como mulas de drogas ou objetos sexuais, foi originalmente planejada como um roteiro de filme para Eva Mendes, mas a passagem do tempo o transformou em uma série, no momento em que Braga viu o script. O romance e Teresa deu a nativa de São Paulo todo o combustível que precisava para moldar a integridade da personagem uma vez que ela estava a bordo.

"Eu tenho tentado criar com [os roteiristas] e, entender que jornada  eles querem fazer, para criar este caminho do ponto A ao ponto B, e como ela recebe essa força e essa confiança para se tornar uma tão ruim (bad bitch)" diz Braga. "Foi lindo, porque [os escritores da série] tinham perspectivas. Eles sabem que eu me inscrevi por causa do personagem, então eu sempre lutei por ela... Eu queria manter sua espinha; Eu precisava mantê-la e quem ela é. Eu sempre digo que eu sou a advogada do personagem, então se eu não fizer isso, ninguém vai fazê-lo. Eu diria para [os escritores], "Ela nunca faria isso, porque ela não é uma vítima. Se ela fosse, ela nunca teria sobrevivido. Se ela fosse uma vítima, ela teria morrido no México e não ido para os EUA".

Braga não é de interpretar mulheres fracas. Depois de obter a sua primeira aparição em um grande filme em 2002 no brasileiro "Cidade de Deus", ela rumou ao mainstream dos EUA em 2007, quando estrelou como a sobrevivente de epidemia companheira de Will Smith em "I Am Legend". Ela continuou a pegar papéis em filmes de ação, incluindo os "Predadores" que Robert Rodriguez produziu, no qual ela interpreta uma assassina, "Redbelt", de David Mamet estrelando ao lado de Chiwetel Ejiofor como sua esposa que não aceita desaforo, e o filme sci-fi "Elysium" como a mulher da favela que contra as probabilidades torna-se uma enfermeira.

"Eu nunca pensei em mim como sendo esta poderosa sobrevivente, e ainda assim eu fiz um monte de filmes desse tipo. No outro dia, um diretor de elenco disse a um diretor quando eu estava na sala, "Ela é uma mulher muito forte, e eu fiquei tipo, ‘Sério? Obrigado, eu não me sinto assim’", admite Braga.
Porque ela nunca tinha feito série de televisão antes, a atriz diz que o compromisso de longa data, recebendo seus roteiros um dia antes de filmar, e desenvolvendo os detalhes que apontam a evolução desta personagem de menina de rua para queenpin, levou um tempo para se acostumar. Compreender seu relacionamento contínuo com Teresa extrapolou seu próprio trabalho com o material de origem e o script, assim como conversas com amigos atores, incluindo Gael García Bernal, e seu treinador, com quem ela iria trabalhar de três a cinco horas por dia.
Ele diz o tempo todo: "Os personagens são o que os personagens são - não se esqueça disso, continue a pensar assim, porque cada detalhe é importante, porque diz muito sobre os seres humanos" ela explica. "Qualquer atitude que você toma em sua vida, mostra quem você é."
Para dar mais humanidade para Teresa, Braga tomou uma dica de Anthony Hopkins, com quem ela atuou em "The Rite", e fez muitas anotações em sua história de fundo do livro: a maneira que Teresa se vestia, suas relações com personagens de apoio, e em seguida, traduziu toda essa informação para o script. A atriz também fez questão de viver na pele de Teresa o mais profundamente possível, ao fazer suas próprias cenas de ação.
Braga ri, ao recordar de ter machucado seu pé durante a execução de uma cena ("Quando eu uso salto alto, meu tornozelo ainda reclama"), e ri novamente quando ela se lembra do momento infeliz durante uma cena, que a levou a ser atingida na boca com uma arma. "Eu sou o tipo de atriz maluca que é muito, 'Vamos fazer isso! Vamos fazer isso! '[Mas às vezes os executivos] eram como, 'Não faça isso’. Por isso, foi engraçado."

A Filosofia “faça você mesmo” de Braga estende-se além de sua atuação. Losbragas, a empresa de produção que ela gerencia com a irmã Rita Moraes e com o roteirista/diretor, Felipe Braga (nenhum parentesco), coloca a atriz em posição de dizer "Faça" sempre que ela está inclinada a isso. Também planta-a firmemente em sua terra natal, onde ela diz que a infra-estrutura de educação para atores e artistas é mínima em comparação com os EUA, assim como são os papéis substanciais para as mulheres que passam no teste de Bechdel**.
"Eu estou tentando desenvolver algumas coisas para personagens principais do sexo feminino, especialmente no Brasil, porque não é que nós não temos, mas ultimamente os filmes que temos com personagens femininas a frente, são ou com mulheres divorciadas de 40 anos que estão odiando seus maridos, ou estão à procura de um marido. Tudo está relacionado [ao homem]", diz ela. "Eu amo atuar, mas é interessante se envolver nos bastidores... [Porque] a minha mãe desistiu de ser atriz e tornou-se assistente de direção, eu cresci indo para sets desde que eu tinha, 04 anos de idade. Para mim, o sonho era estar em um set de filmagem, onde quer que esse set fosse. "
Na frente ou atrás da câmera, Braga reina suprema.


*Business Insider - site de notícias.
** O teste de Bechdel é um questionário que analisa se uma obra de ficção possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem. Algumas vezes se adiciona a condição de que as duas mulheres tenham nomes. Muitas obras contemporâneas falham no teste, que é um indicativo de preconceito de gênero. 

Tradução de: Backstage

terça-feira, 26 de maio de 2015

Matéria capa da Marie Claire 2008

Alice Braga: Ela é a lenda
Cortejada por astros como Will Smith, Sean Penn, Jude Law e Harrison Ford, a menina classe média paulistana foi longe e voltou para contar a história. Mas, aos 25 anos, Alice Braga parece não se dar conta de tudo o que já conquistou.
Conheci Alice há cinco anos, na redação de uma revista para a qual ela fazia um trabalho sobre sua experiência em Nova York como estudante de inglês. Isso, antes do lançamento do filme que mudaria sua vida: Cidade de Deus [2002]. Na época, adolescente ainda, era apenas uma aspirante a atriz, como milhares que circulam hoje pela capital -só uma garota da Vila Madalena, bairro de descolados e alternativos em São Paulo, em busca de um lugar ao sol. Baixinha, chinelos, vestidos soltos, cabelo meio preso, um tipo que há 20 anos seria rotulado de bicho-grilo, não dava pinta de que viria a ser atriz internacionalmente conhecida, aplaudida de pé em Cannes, vencedora do prêmio de melhor atriz no festival de Veneza, eleita uma das promessas do mercado em ensaio fotográfico feito para a revista "Vanity Fair" e selecionada no anual "Women We Love" da "Esquire". Muito menos que contracenaria com Will Smith, Harrison Ford, Julianne Moore, Sean Penn e Jude Law antes dos 25. Por isso, quando recebi a missão de entrevistá-la para esta edição de Marie Claire, fiz as contas e cheguei ao resultado óbvio: a ex-garota da Vila Madalena e atual frequentadora dos estúdios hollywoodianos teria virado um tipo meio esnobe, meio senhora de si, meio cheio de respostas prontas e clichês. E, naturalmente, não se lembraria de mim. Fui encontrá-la, então, preparada para o pior cenário possível: o da entrevista tirada a fórceps.
Cheguei ao local marcado, um café dentro de uma livraria na Vila Madalena, pontualmente às 14 horas, pronta para esperar pela celebridade: nada mais comum do que o vaidoso atraso da classe. Mas Alice já estava ali, tomando uma xícara de chá. Chinelos, vestido largado, cabelo meio preso, bicho-grilo retrô, acenou e me recebeu com um abraço. "Nossa! Há quanto tempo a gente não se vê! Tudo bem com você?" O choque de ver que a garota da Vila Madalena, que desde nosso último encontro havia conquistado o mundo e voltado, era ainda apenas a garota da Vila Madalena foi enorme. Teimosa, durante os 20 primeiros minutos de papo tentei desmascará-la e encontrar ali algum vestígio de estrelismo. Tudo em vão. Segura, risonha, simples, humilde, ela parecia contar a história de sucesso de uma amiga -feliz, mas sem muito envolvimento com toda aquela pompa hollywoodianesca.
"Tô me jogando nas mãos dos diretores porque tenho muito a aprender"
Aos 25 anos, a menina que, aos 19, abandonou o curso de Artes do Corpo na PUC para seguir a carreira de atriz revelava, entre uma e outra xícara de chá , um tipo de maturidade que falta a muitos artistas quarentões. Criada em núcleo familiar artístico (pai jornalista e diretor de TV, mãe publicitária e irmã produtora), sempre quis trabalhar com cinema. Desde os 10 brinca de fazer comerciais e, antes de Cidade de Deus, havia feito apenas um curta de baixo orçamento. Mas aí veio o papel da cocotinha no filme de Meirelles e a vida virou: agentes disponíveis em Hollywood, convites para novelas na Globo, testes e mais testes. Da noite para o dia, a fama além-mar.
Em setembro, aparecerá nas telas com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal na adaptação para o cinema do perturbador Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago. Logo depois, ao lado de Harrison Ford e Sean Penn em Crossing Over, sobre o drama da imigração mexicana nos Estados Unidos. E, ano que vem, com Jude Law em Repossession Mambo, sem título em português. Currículo pesado, mas que sequer foi suficiente para fazer com que se mudasse do pequeno apartamento na Vila Madalena. Por isso, a uma certa altura me ocorreu o seguinte: essa menina não tem noção do que está acontecendo.
MC Cidade de Deus foi o primeiro filme?
AB Tinha feito só um curta antes disso.
MC Depois dele um agente veio te procurar?
AB Ela ficou seis meses me procurando.
MC Por quê?
AB Porque ela achava que eu morava na favela. Como ela não conseguia achar o Fernando [Meirelles], não sabia como começar a me procurar nas favelas. Tentava aqui e ali, mas não conseguia.
MC Quem escuta sua história acha que a coisa mais simples do mundo é conseguir um agente em Hollywood e não é bem assim.
AB É, eu sei. É que tive a sorte de fazer o Cidade de Deus, que me abriu para o cinema lá fora porque o filme fez aquele sucesso com a crítica internacional.
MC Você tem alguma noção do que está acontecendo?
AB Às vezes. Tô indo de peito aberto e me jogando na mão dos diretores porque tenho muito o que aprender.
MC Mas entrar no tapete vermelho ao lado de Will Smith e Tom Cruise não é pouca coisa.
AB É, isso foi surreal mesmo [ri]. Que maluco, né? Mas tô tentando ser apenas eu mesma.
MC Como fazer para não acreditar que você é tudo o que dizem que você é?
AB Olha, não sei muito para onde estou indo, mas sei que amo cinema, sempre amei, aprendi com meus pais, sabe?, em casa se via muito filme. Então, sei que estou fazendo o que amo e o que sempre quis: cinema. Mas olho em volta e tudo é tão grande, tão novo, tão badalado que é muito fácil ficar cego. Tudo é sedutor, é tentador, mexe com o ego. Olha, se tem ao meu redor 100 fotógrafos gritando: "Lindaaaa! Olha pra mim!", uma hora vou me achar mais fodona mesmo. É humano, mas não posso perder a capacidade de passar pelo tapete vermelho e debochar do momento, sabe? Não dá para esquecer de onde eu vim, quem são meus amigos, essas coisas.
MC E filmar com Will Smith, um dos caras mais poderosos do cinema?
AB Fazer Eu Sou a Lenda [2007] foi muito valioso. Uma história enorme, com um grande astro do cinema americano, um dos mais bem pagos do mundo, então isso foi muito bacana. Mas um mês antes daquilo eu estava fazendo Via Láctea, uma produção nacional, da Lina Chamie, que é uma diretora que eu adoro. Esse tipo de mudança me dá prazer.
MC A impressão que temos é que, da noite para o dia, você aconteceu mundialmente e que nunca foi recusada em nenhum teste, que o cinema americano amou você à primeira vista.
AB Imagina. Fui recusada muitas vezes. Muitas. Eu Sou a Lenda foi só um de vários testes que eu tinha feito em Los Angeles. O Rodrigo [Santoro] passou pelas mesmas coisas.
MC Por exemplo.
AB Ah, tantos... Olha, fui para os Estados Unidos promover o Cidade Baixa [2005, de Sérgio Machado, no qual fez uma prostituta, elogiada pela crítica internacional] e estudar inglês. Enquanto isso, ia fazendo vários testes. E não passei em nenhum. Sabe, é como ir a uma entrevista de um trabalho que você adoraria executar e ser rejeitado. É isso muitas vezes em um mês. Nosso trabalho é esse, não tem cotidiano, é passar no teste e ganhar ou não passar e não ganhar nada.
MC Não é duro demais lidar com tanta rejeição? Porque a gente só fica sabendo das aprovações.
AB Duro demais. Tem sempre tanta gente tentando um mesmo papel que o normal é ser rejeitado. A rejeição existe em qualquer tipo de trabalho, mas no nosso é muito fácil levar para o lado pessoal. Mas o desafio é entender por que você não foi bem e como pode melhorar.
MC Tem um papel que doeu mais perder?
AB The Dead Girl [2006, com Toni Collette, de O Casamento de Muriel e que não foi lançado no Brasil], um filme independente. Passei no primeiro teste e daí é foda porque a expectativa cresce. Esse doeu.
MC Como você conseguiu o papel em Eu Sou a Lenda? A concorrência deve ter sido enorme.
AB Fiz um teste com a produtora de elenco, ela lendo o texto, sem interpretar nada, e eu interpretando. Essa situação é engraçada porque você tá lá toda entregue e quem contracena com você tá só lendo um papel. Bem maluco porque eu não tinha lido nada do roteiro, então a situação é toda fora de contexto. Bom, aí voltei para o Brasil porque já estava há um tempo em Nova York e precisava voltar. Assim que cheguei aqui eles me ligaram: "Olha, o Will Smith e o diretor viram seu teste e querem te conhecer pessoalmente. Vem para Nova York agora". E eu: "Agora? Tá". Refiz a mala e aí descobri que tinha greve de metrô em São Paulo. Ou seja, eu tinha algumas horas para chegar ao aeroporto e minhas chances eram mínimas. Cheguei esbaforida, mas consegui pegar o avião.
MC Chegou em Nova York e foi direto para o teste?
AB Fui.
MC Nervosa?
AB Bom, antes de entrar na sala para conhecer o Will pessoalmente eu era adrenalina pura. Ficava na sala de espera: "Curte esse momento. Se der, deu. Se não der, foi ótimo. Foi ótimo ter vindo, ter conhecido ele pessoalmente...", ficava repetindo isso. Porque, olha, pensa bem, eu ia conhecer o cara, ia interpretar para ele, com ele, puxa, não tá bom assim? Já valeu.
"Passar pelo tapete vermelho abraçada ao Tom Cruise foi surreal. Muito maluco isso, né?'
MC E como foi?
AB Entrei e ele foi supergeneroso e carinhoso. Ele sabe o peso que tem sobre as pessoas, principalmente atores novos tentando um espaço como eu. Ele sabe que é intimidador. Mas ele foi ótimo, eu fiz o teste com ele e fui para o hotel dormir para voltar ao Brasil no dia seguinte. Tentei não pensar muito sobre o teste e, no dia seguinte, estava me preparando para pegar um táxi para o aeroporto quando a produtora de elenco ligou. "Você pode voltar aqui agora?" E eu disse: "Posso". Achei, claro, que os testes iam continuar. Cheguei lá, entrei na sala e lá estava o Will Smith. Ele me disse apenas: "Alice, seja bem-vinda a Eu Sou a Lenda".
MC Como você reagiu?
AB Um baque. É que, normalmente, não é assim que as coisas acontecem. O que acontece é que a produtora de elenco liga para o agente do ator e diz se ele passou ou não. Então aquilo não era protocolar. Fiquei lívida, congelada.
MC Saiu de lá e ligou para quem?
AB Nem tive tempo de correr pela rua, de gritar, nada, porque na hora eles me colocaram num carro para ir ver figurino, foi uma maluquice. E eu estava com um celular pré-pago, nem tinha crédito para ligar para ninguém. Aí a gente chegou no lugar das provas e eu falei: "Me dá dez minutos?". E saí correndo para um orelhão para ligar para minha mãe, ainda sem acreditar. Nossa. Minha mãe gritava, eu gritava...
MC Você não pensa em morar por lá de uma vez?
AB Minha agente sempre disse que eu tinha que me manter atuando no Brasil porque isso iria me enriquecer como profissional. Ela diz que eu não devo ir morar em Los Angeles ou Nova York. E eu gosto do meu canto, da sensação de voltar para casa.
'Quando entrei na sala, o Will Smith estava lá. Ele levantou e me disse apenas: 'Alice, seja bem-vinda a Eu Sou a Lenda''
MC O Will Smith é um cara bacana?
AB Ele é tudo o que parece. Um cara que trabalha duro demais para ser quem é. Ele vem de família muito pobre, né? O pai consertava ar-condicionado, uma família trabalhadora da Filadélfia. E ele não esquece isso, ajuda todo mundo, os amigos de infância são hoje assessores, sabe? É um cara admirável, gentil, doce, generoso, que olha nos olhos das pessoas.
MC Você já se sentiu excluída dentro desse clube de pessoas tão poderosas?
AB Os atores com os quais trabalhei foram todos muito generosos. Nunca mudei meu jeito, continuei falante, e eles me fizeram sentir bem-vinda.
MC Até o Harrison Ford?
AB Esse é uma figura. Ele faz cinema há tanto tempo que virou um cara que olha tudo, repara nos fios, nas roupas, nas camareiras, tudo ele sabe, tudo ele vê. No primeiro dia de filmagem ele me disse: "Tá com medo?". E eu: "Hum-hum". E ele: "É bom ter mesmo". Um brincalhão, gente boa mesmo.
MC Como foi fazer Ensaio sobre a Cegueira?
AB O filme é forte, mas o set foi leve. O filme fala que só nos vemos uns aos outros quando precisamos de ajuda, fala que, na verdade, estar cego é a obrigação de olhar para dentro.
MC O aspecto escatológico do set chegou a perturbar?
AB Toda aquela sujeira, aquela degradação humana, de repente você olha e tem um cara nu deitado na merda... Claro que a gente sabe que o cocô é de mentira, tudo é fake, mas se conectar com aquilo tudo é forte.
MC Tem planos de carreira?
AB Não. Sei que quero fazer filmes, muitos. Tenho vontade de trabalhar. Esse é meu plano. Nunca fiz um plano de fazer cinema aqui ou lá ou acolá. Tento ficar no momento, sabe? Só quero trabalhar.
MC Qual o próximo?
AB Mês que vem começo a filmar com o Marco Ricca no Rio Grande do Sul.
MC TV não interessa?
AB Tenho vontade. Já fui convidada para muitas coisas, quase fiz JK, Amazônia, Belíssima, mas havia sempre um longa no caminho e não dava.
MC Tem algum grande medo?
AB De avião [ri]. Mas não tenho medo de morrer, medo da solidão, medo de não encontrar alguém, de ficar sem trabalho... não tenho nada disso. Acho que a vida vai te presenteando com medos, né? Mas, aos 25 anos, ainda não tenho medos não.
MC E namorados nesse meio?
AB Para a imprensa, eu tô supernamorando o Gael hoje. E há um mês eu estava namorando o Santoro. Minha vida, segundo a imprensa, é muito boa [ri]. Encontrei o Rodrigo [Santoro] no dia seguinte da fofoca e falei: "Cara, você viu? A gente tá namorando". E ele: "Meu amor!".
MC Isso chega a incomodar?
AB Como não sou muito famosa, ainda não senti essa pegada mais agressiva da imprensa. Só coisas leves.
MC Mas não tem ninguém hoje?
AB Não, eu tô sozinha. Já tive namorado super ciumento, não gostava de ver cenas de beijo e coisa e tal. É duro para quem não é do meio, sabe? Muito duro.
MC Você e o Diego Luna [E Sua Mãe Também] namoraram?
AB Namoramos, mas a gente nunca abriu o romance, tô falando isso pela primeira vez agora. Não chegávamos a negar ou esconder, mas evitávamos nos expor. Não vou esconder nada, mas quero entender meu limite nisso, o limite da invasão, da opinião pública.
'Para a imprensa, eu estou supernamorando o Gael. E há um mês, eu estava bem firme com o Santoro'
MC Incomoda ser perguntada a toda hora sobre sua tia, a Sônia Braga?
AB Adoro falar dela. Ela é um ícone do cinema nacional, mas foi uma pioneira latina no cinema norte-americano, uma heroína, uma desbravadora. Então, me dá orgulho falar dela não só por ser minha tia. Hoje, o mercado já não é tão tipificado como na época dela. Por exemplo, para esse filme que fiz com o Jude Law eles queriam alguém muito diferente de mim. Só tinha americanas e inglesas fazendo o teste e eu ganhei. O mercado tá mudando.

MC A grana já chegou com força?
AB Eu trabalho desde os 15, já fiz vários bicos, já servi em festa, já fiz bico num restaurante de um amigo, tudo para ter minha graninha. Claro que quando começou a pintar tanto trabalho, que vem com uma certa quantidade de dinheiro, que nem é muito assim, mas é bom, isso me deu a chance de investir e ter a tranquilidade de escolher os projetos que mais me agradam. No começo da minha carreira minha mãe me disse: "Olha, a gente sempre acha que precisa fazer uma obra de arte e não é bem assim. Não dá pra viver só de obra de arte. Então, não se julgue por fazer coisas que não sejam, necessariamente, obras de arte. Faz parte de qualquer ofício fazer de tudo um pouco". E eu entendi o recado. Então, a grana me dá essa tranquilidade de poder escolher projetos. É uma boa reserva que me dá paz para correr atrás de um sonho.
Fonte: Marie Claire 
Styling: Tina Kugelmas e Paula Lang
Produção: Cintya Misobuchi
Cabelo e Maquiagem: Marcelo Gomes (Glloss)/Assistente de Maquiagem: Murilo de Paula
Assistente de Fotografia: Denilson Franco
Agradecimentos: Osklen, Herve Leger para Daslu, S&B Acessórios, Raphael Falci

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ensaios: Ensaio para a RG Vogue de 2007

RG VOGUE  de setembro de 2007
Trago aqui um dos meus photoshoots preferidos da Alice para a RG VOGUE.
Sobrinha de Sonia Braga, a atriz Alice Braga, então com 24 anos, fez um ensaio para a edição de agosto da revista RG Vogue.
Alice tinha acabado de estrelar sua primeira superprodução hollywoodiana: I Am a Legend, filme estrelado por Will Smith e com orçamento de US$ 150 milhões. "Foi uma loucura! A gente parou a Quinta Avenida e andou quatro quarteirões com a câmera na nossa frente. Em dez minutos havia 600 pessoas na rua", lembra Alice.
Considerada um sex symbol latino, Alice diz que não se sente uma mulher sensual. "As mulheres que vejo como sex symbols são muito diferentes de mim. Sou tipo assim: All Star, calça jeans e camiseta. E mesmo aos 24 anos ainda me sinto muito molecona." Disse Alice na época.
Adaptado de diversão terra.
Confira as fotos da entrevista:


terça-feira, 21 de outubro de 2014

TPM 2008

           Alice em (da esquerda pra direita): Território Restrito; Cidade Baixa; Cidade de Deus; Ensaio sobre a cegueira; Só Deus Sabe; Via Lactea; Eu Sou a Lenda; Em doze horas ate o amanhecer (2006) e nos bastidores de Cabeça a Prêmio.


Tem um mistério na sensualidade da Alice Braga: não se sabe de onde ela vem. É um tipo de constatação que pode parecer deselegante, visto que se aplica com mais freqüência àquela categoria de mulheres que nós, pobres animais com trombas, classificamos como canhões. Evidentemente que a Alice não se encaixa nesse padrão bélico de beleza, muito pelo contrário. Ainda assim sua sensualidade tem esse mistério original. Se ela tivesse o crumbiano bundão, por exemplo, de uma Rosana Jatobá (a mulher do tempo), poderíamos cravar: é da retaguarda que vem a luz. Mas esse não é o seu caso. Também o rostinho, lindo, não pode ser inteiramente responsabilizado pelo fato de a Alice Braga ser tão sensual. Isso porque ele não passa no teste da cara metade. Faça você mesmo: com uma folha de papel, esconda metade do rosto da Alice. Visualize bem. Repita com o outro lado. Vai ver que uma parte é diferente da outra, sendo a da esquerda muito mais bonitinha que a da direita. Pessoas verdadeiramente bonitas, homens ou mulheres, têm metades de rosto iguais, é o que reza esse controvertido Inmetro facial. A Alice, podemos dizer, é uma mulher de esquerda.
A mulherada, essa raça superior, dirá ser a sensualidade um atributo que paira acima do quadril e até mesmo do busto. Sei, sei... O segredo da Alice Braga, então, seria um só: com 1,62 metro, estamos diante de uma mulher superpoderosa, o que por si só desperta nos outros um frio na barriga. Verdade que superpoderes conferiram a Margareth Tatcher, Condoleezza Rice e Dilma Roussef a sensualidade de uma porta. Mas quem são as três damas diante da Alice Braga, que fez Cidade de Deus logo na sua estréia? Ave-maria uma coisa dessa! Podia se aposentar como um J. D. Salinger, autor de um livro só e por cima da carne-seca. Não se bastando com isso, no entanto, ela fez também Ensaio sobre a Cegueira, Cidade Baixa, O Cheiro do Ralo e meia dúzia de produções internacionais – em Eu sou a Lenda, contracena com Will Smith. Na edição de março da Vanity Fair, ela aparece na segunda parte da capa tripla da revista americana como uma das dez “fresh faces” de Hollywood. A foto é de Annie Leibovitz, a melhor e mais famosa fotógrafa do mundo. Então está resolvido: além de ter mãos (e, por isso, supostamente pés) muito bonitas (além dos cabelos), Alice Braga é sensual porque é muito fodona, é muito fodona porque é sensual. E por aí vai, constituindo-se assim uma bola-de-neve.
Aquela menina, a Lili 
Aos 25 anos, Alice acaba de filmar Cabeça a Prêmio, baseado em livro homônimo de Marçal Aquino. É seu 12º longametragem, além de dois curtas e apenas um programa de TV – Carandiru, Outras Histórias, de 2005. Cabeça a Prêmio reservou para Alice, bem, um prêmio: sua mãe de verdade, Ana Maria Braga, vem a ser a progenitora também na película dirigida por Marco Ricca. Ana é atriz de teatro desde os 14 anos, tendo atuado sobretudo em musicais – fez, por exemplo, Ópera do Malandro, a peça de Chico Buarque encenada com grande sucesso em 1978. A bem da verdade, já tinha pendurado essa chuteira fazia muito tempo. Foi novamente escalada quando o Marco Ricca se deu conta de que o Fulvio Stefanini era por demais branco e de olhos azuis para ser, em carreira solo, o pai da Alice (segundo a própria, “neguinha, morena e baixinha”). Sendo necessário encontrar uma mãe com tais características, convocou-se então a Ana Maria Braga – que, melhor esclarecer para não queimar o filme, nada tem a ver com a Ana Maria Braga da televisão, cujo parceiro é um papagaio, fazendo supor que cada um tem o Fulvio Stefanini que merece.

Foi com Ana Maria Braga, a mãe, que Alice trabalhou como atriz nas primeiras vezes. Ana, que tinha abandonado os palcos, tornou-se uma respeitável profissional de propaganda, dirigindo inúmeros filmes comerciais. E começou a levar a Alice, então com uns 5 anos de idade, para os sets de filmagem. Nos lendários estúdios da Companhia Vera Cruz, transformados em uma grande floresta, a pequena Alice Braga pôde assistir ao vivo às atuações de Ronald McDonald – coadjuvado por seu Sancho Pança, o esquecível Papa Burger. Muito extrovertida, falando pelos cotovelos (é assim até hoje), foi sendo introduzida aqui e ali, em pontas nas propagandas de TV. Fez comerciais de Neston e da C&A. Mais tarde, sob a direção de Fernando Meirelles, gravou um anúncio da Intelig. Na semana seguinte, precisando formar uma família para o açúcar União, Meirelles ordenou: “Chama de novo aquela menina, a Lili”. Não seria a primeira vez que o diretor se lembraria dela. Dentro de um táxi no Rio de Janeiro, conversando com a maquiadora Ana Van Steen, os dois trocavam idéias sobre a formação do elenco para Cidade de Deus. Meirelles procurava alguém para fazer o papel de Angélica, a gatinha disputada por Buscapé e Bené, o traficante gente fina. “Aquela menina”, disse ele. “A Lili.”
Não apenas o Meirelles e a Ana Maria Braga transformaram a Alice na atriz bem-sucedida que ela é hoje. Nisso aí vai uma longa tradição: Alice é apenas mais uma artista numa família de artistas. Sônia Braga, ela mesma, é sua tia, irmã da Ana Maria Braga. Falemos disso depois. Uma outra tia trabalha com música. Uma prima, Dani Braga, sobrinha da Ana em primeiro grau, é diretora deA Grande Família e assistente de direção do longa Madame Satã. Há um outro primo que é músico. Um tio é artista plástico. Sua irmã, que foi estudar direito internacional na Austrália, voltou com um diploma, mas do curso de cinema. Mesmo o pai, o jornalista Ninho Moraes, é um apaixonado pelas produções literárias e cinematográficas, de forma que a Alice “não poderia realmente ter saído uma economista”.

É tudo culpa da avó
A culpada de tudo isso é a mãe da Ana Maria Braga, a Zezé Braga. Foi ela que iniciou esse flerte da família com o universo da arte. Costureira, fazia também figurinos para peças de teatro, sendo muito conhecida na cena cultural da cidade. Foi a dona Zezé que vestiu os personagens de O Beijo da Mulher Aranha, que mais tarde viraria filme sob direção de Hector Babenco e, veja como são as coisas, com a Sônia Braga no elenco. O marido da Zezé, por outro lado, não tinha nada de artista. Mas sobrava a ele inventividade. Nascido em Penedo, interior de Alagoas, o avô da Alice foi o escolhido pela família para fazer faculdade em Salvador. Como eram todos muito pobres, ele deveria se formar em medicina e depois ajudar os outros, ou seja, os nove irmãos. Fizeram uma vaquinha e ele foi. Lá chegando, porém, teve uma idéia: “Para que fazer um curso de medicina se eu posso abrir uma fábrica de panelas?”. De fato. E assim nasceram as panelas Penedo, onde cada um de nós já cozinhou o seu miojo. O lance é que o marido da Zezé morreu cedo e as filhas tiveram de ir à luta, tendo a Sônia Braga ficado pelada em Hair tão logo chegou à maioridade.

A Alice Braga talvez já esteja cansada das comparações com a sua tia – mas “não, sabia que não?”. Então tá. Você tem o corpo parecido com o da Sônia Braga? “Acho que não. Eu sou mais mignon.” A Sônia é mais gostosona? “A Sônia tem mais coxa.” Ela é a primeira a vender lá fora essa imagem da brasileira com quadril largo, bumbum... “Engraçado, no meu primeiro filme gringo, Eu Sou a Lenda, estava tão magra que pesava 46 quilos. Não tinha bunda nem peito. Ou seja, eu sou a brasileira que não é brasileira.” Não apenas as medidas diferem a Sônia da Alice. Por não ter feito quase nada de televisão, a Alice não se sente famosa. Nas poucas vezes em que é abordada com um pedido de autógrafo, nunca sabe direito o que escrever. No arremate do texto, é acometida sempre pela dúvida: “Beijos, beijo grande ou boa sorte? Sei lá”. Embora reconhecida em Hollywood, essa Alice sem fama tem a vantagem de continuar a mesma: vive em São Paulo, torce (de verdade) para o Palmeiras, prefere o cheese salada do Hamburguinho e só escuta rock. Ficou apenas mais sensual, não se sabe por quê.

Fonte: http://revistatpm.uol.com.br/83/perfil_alice/home.htm