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sábado, 16 de janeiro de 2021

Antiga entrevista para a revista LATINA

Estou traduzindo uma entrevista antiga, pois Alice fala sobre várias coisas das quais eu não tinha conhecimento, como seu processo de teste para Cidade de Deus e sobre seus pais. A entrevista foi postada no site da revista Latina em Julho de 2008.
Alice Braga pode ter atingido um grande momento em Hollywood, mas seu coração está enraizado no Brasil. Praia favorita? Ipanema. Estilista favorito? Maria Garciel. Diretor favorito? Fernando Meirelles, que deu a Alice o seu primeiro grande papel em seu filme indicado ao Oscar Cidade de Deus (e fez para sua carreira o que Pedro Almodóvar fez por Penélope Cruz).
Garota da capa da revista Latina  de agosto (2008) ela compartilha suas regras para viver - inclusive as aprendidas de sua  co-estrela Will Smith em I Am Legend  (Eu sou a Lenda).
Aqui você confere trechos da entrevista:
Ao ser criada por pais divorciados: Eles se separaram quando eu tinha um ano de idade, mas meu pai vivia a três ruas de distância da minha mãe, no mesmo bairro. Eles eram realmente bons amigos e eu estava perto de ambos.
Sobre a forma como a sua família influenciou a sua decisão de ir para o cinema: [Meus pais] adoravam cinema. Eu cresci assistindo um monte de filmes com eles. Meu pai adorava Godard e Truffaut. Ele era mais artístico. Minha mãe adorava a trilogia Bourne, ela gosta de grandes blockbusters. Ela adorou que eu fiz Eu Sou a Lenda. Minha paixão por atuar veio com a minha paixão pelo cinema.
Sobre sua famosa tia, Sonia Braga:  Nós não estamos tão perto. Mas eu a admiro muito. E ela é uma atriz maravilhosa. Então, quando as pessoas me conectam a ela, é uma honra, porque eu sou uma grande fã de seu trabalho.
Em sua estreia na atuação:  Meu primeiro comercial foi quando eu tinha oito anos. Eu fiz mais comerciais depois que eu tinha 15 anos [com o diretor indicado ao Oscar Fernando Meirelles]. [No início] você não está muito nessa. Mas você precisa fazer, porque todo mundo está trabalhando. Mas depois de um tempo, eu queria. Para mim, estar em um set de filmagem era mágico.
Em conseguir seu papel em Cidade de Deus: Eu fiz dois comerciais com ele, um para açúcar, outro para uma empresa de telefonia. Em seguida, depois de um ano, ele me contou sobre a audição para Cidade de Deus. Foi um ensaio apenas com os meninos, se conectar com eles. Bastava descobrir como seria com todos nós juntos, a energia, a química, e tudo isso. Os rapazes gostaram de mim, e isso aconteceu.
Sua abordagem para atuar: Eu amo o processo de descobrir um novo mundo, é por isso que eu sou apaixonada por atuar. É só descobrir a vida, sentimentos, ideias e pensamentos. Eu faço um monte de investigação. Por causa de Eu sou a Lenda, eu fiz um monte de investigação sobre sobreviventes. Se todo mundo está morto em torno de você, como você pode sobreviver. Eu fui à livraria e encontrei livros de psiquiatria sobre sobreviventes do Holocausto.
Maternidade: Eu sou muito jovem para ter filhos, mas eu realmente quero ser mãe. Eu não sei se é uma coisa latina, mas eu adoro crianças.
Em perder seu primeiro amor: Eu desisti de um namorado, que eu não deveria ter desistido. Eu era jovem. Eu tinha 20 anos eu era muito jovem para casar. A medida que o tempo passa, você aprende.
Sobre o que ela está procurando em seu próximo relacionamento:  Eu realmente estou procurando um namorado, mas quanto mais você procura, menos você encontra. Eu vou deixar acontecer. Eu quero encontrar alguém que balança meu mundo. Alguém que me dá borboletas.
Will Smith, sua co-estrela em Eu Sou a Lenda: Ele é fenomenal. Ele é o tipo de cara que merece tudo o que ele tem. Ele trabalha muito duro todos os dias de sua vida. Ele é muito generoso. É tão inspirador. "Não há tal coisa como sorte", é o que ele me ensinou. "Continue, continue pesquisando, continue tentando”.
Em seu mantra para a vida: Se você tiver prazer, você não deve se sentir culpado. Essa é a melhor coisa na vida. Não se sinta culpado.

domingo, 27 de agosto de 2017

Domingão

Aproveitando o fimde pra salvar algumas fotos da Lili no blog. Bom domingo!
Alice Braga.
#alicebraga #alice #braga #beauty #beautiful #pretty #cute #stunning #gorgeous #awesome #cantik #geulis #kawaii #kirei #oppai #piaoliang #hermosa #aika #yeppeun #meili

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Revista Trip25 anos

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Top05: cinco melhores capas de revista da Alice

Com o impacto das fotos da Alice na @gizbrasil [essa capa, é um espetáculo, hein? A mulher não tem uma grama de gordura!] resolvi selecionar as minhas cinco capas preferidas da Alice. Vamos ver se vocês concordam ou não?

5. Vanity Fair (USA)
Fotografada pela lendária Anne Leibovtz, Alice divide a capa com outras atrizes apontadas como promessas da sua geração (cata a lista abaixo), apesar disso, essa edição é muito importante para Alice que é (até onde eu sei) a única brasileira a participar desse formato de capa que rola quase todo ano na Vanity Fair.
Emily Blunt, Amy Adams, Jessica Biel, Anne Hathaway, Alice Braga, Ellen Page, Zoe Saldana, Elizabeth Banks, Ginnifer Goldwin e America Ferrera
                          Aproveitando e postando imagens "inéditas" dos bastidores dessa foto.
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4. GizBrasil
                                "Nenhuma nudez será castigada"
Revista @gizbrasil com Alice na capa! 
Lançada hoje 😁 
#alicebraga #gizbrasil
Nem precisa explicar, né? Não gostei muito da matéria porque o editor/jornalista nem disfarça que não se deu bem com a equipe da Alice, e a equipe pode até ser chata, mas achei anti profissional da parte dele fazer uma matéria completa sobre isso. Em compensação, as fotos da edição trimestral da revista são lindas e na matéria ele deixa bem claro que Alice é super tranquila de lidar.
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Foto: Christina Gaul

3. TPM

Alice já foi capa da TPM (é Tpm ou é Trip?) três vezes e eu amo como ela tá três pessoas diferentes em cada capa. Na primeira ainda na época de Cidade de Deus ela tá toda moleca, de camisa e jeans, em uma entrevista posterior Alice declarou que essa capa foi meio um prenúncio do futuro da sua carreira já que foi a primeira grande capa de revista e ela está com uma blusa escrito "New York", meses depois Alice iria se mudar para a cidade, e ganhar os cinemas internacionais.
Na segunda capa Alice tá mais girly. A capa foi logo depois da primeira série de grandes trabalhos internacionais da Alice, como Eu sou a Lenda e Repomen.
A terceira capa é 'dois em uma' e brinca com o estereótipo de diva e as atrizes na vida "real". Pra ser bem sincera Alice tá praticamente a mesma pessoa, né? Eu ainda prefiro a capa que ela tá mais simples porque Alice tá sorrindo.

2. Trace Magazine (USA) março de 2007

Não vou nem dizer nada.
                                     






1. Vanity Fair Espanha
Sou louca para saber sobre o que Alice fala nessa entrevista. Infelizmente nunca vi os scans, e não acho a matéria online sobre essa entrevista, em novembro de 2008. Alice tá uma diva, a chamada da revista é maravilhosa, e essa é de longe minha capa preferida dela.

Para conferir os scans da Alice na Trace Magazine em melhor qualidade: AngelaCravens.com

Entrevista de Alice para a gizBrasil

Já tinha postado a matéria da revista e agora posto a entrevista:


Quando você foi convidada a interpretar Tereza Mendonza em Queen of the South, já tinha certa intimidade com a personagem – havia lido o livro de Arturo Pérez-Reverte oito anos antes. Como esse “preparo acidental” interferiu na sua atuação?

Eu aceitei fazer a série porque gostava muito do livro. Queria interpretar a Tereza Mendonza criada pelo Arturo Pérez-Reverte. O livro está sempre ao meu lado, a cada segundo que ando pelo set. Mesmo os roteiristas mudando a jornada da Tereza do livro para essa adaptação americana, eu tentei honrar a Tereza da obra literária, tentei me apoiar aos detalhes dela, às nuances que o escritor criou.


Nesses tempos bicudos, em que o ser humano precisa rever os caminhos que está trilhando, quem são os autores ou autoras que você recomendaria ler?

Mais do que nunca precisamos voltar a ter um olhar mais leve sobre o outro, sobre o mundo e as coisas. Impossível não pensar em Jorge Amado e Gabriel García Marquez.

Embora o foco de Queen of the South seja a Tereza Mendonza – e não a cocaína, qual é a sua opinião sobre a legalização das drogas?
Sou sim a favor da legalização das drogas e do uso controlado delas. É um problema de saúde pública e não de segurança. Nos países onde há a legalização os índices de violência costumam cair bastante.

À Interview (na verdade ao Wagner Moura, que foi quem te entrevistou), você disse não ser uma atriz internacional, mas sim uma “atriz que trabalha internacionalmente”. E que gostaria de trabalhar com os diretores que admira no Brasil. Quem seriam eles e quais projetos te interessam?
Estou com muita vontade de voltar a fazer projetos mais autorais. Nomes como Felipe Hirsch, Lucrecia Martel, Gabriel Mascaro, Anna Muylaerte, Steve McQueen, Karim Ainouz, Andrea Arnold e Pablo Larraín me interessam muito.

Você tem a sua própria produtora de filmes, a Los Bragas, com sua irmã e cunhado, aqui em São Paulo. Sua tia e mãe são atrizes. Você pensou em ser qualquer coisa que não fosse atriz?
Sempre sonhei em estar no universo do cinema. Por causa dos meus pais, desde pequena frequento sets de filmagem e me foi mágica a ideia de que no cinema não se faz nada sozinho. Trabalhar em equipe é a única forma de realizar um projeto. Isso sempre me foi fascinante. Se não fosse atriz, acho que estaria em alguma função atrás das câmeras.

Como você dosa projetos comerciais (do tipo que fazem dinheiro entrar e a roda girar) com outros projetos mais conceituais (do tipo que alimentam a alma)?
Sempre busquei os projetos que me encantavam através das pessoas envolvidas, seus roteiros e ideias. As portas foram abrindo e eu fui me jogando. Ultimamente isso vem mudando. Ando pensando mais no próximo passo, quais projetos quero de fato fazer e quais diretores me fascinam. Acho que é a idade (risos).

Dizem que a indústria cinematográfica é preconceituosa e regida por padrões estéticos/morais vigentes – que mudam a cada nova vigência. Você sente isso? De que maneira lida com isso no seu dia a dia sem fritar os miolos?
Infelizmente, preconceito está em todos lugares e não é uma exclusividade do meio cinematográfico. Eu mesma me policio para não ser preconceituosa. O preconceito muitas vezes nasce do medo do desconhecido. Procuro ao máximo me informar antes de gerar minhas opiniões e conceitos na vida.

É mais fácil ser mulher ou ser latina na indústria cinematográfica?
É mais desafiador ser uma mulher latina (risos).

Você se considera uma feminista?
Muitas vezes feminismo é visto como radicalismo. Sou a favor da igualdade de direitos. Sou a favor dos direitos humanos.

Sendo uma figura pública, cuja opinião e imagem atingem grandes massas populacionais, você acha importante se posicionar politicamente?
Acho que parte de cada um querer se posicionar. Não é porque a pessoa é notória que ela tem a obrigação de declarar sua opinião. Como você mesmo disse, a opinião de uma pessoa pública atinge grandes massas. Acredito que o mais importante é ter consciência disso.

De um lado, Michel Temer, presidente interino no Brasil, sua pátria. Do outro, Donald Trump, novo presidente dos EUA, país onde se concentram seus principais trabalhos no momento. Ambos forças conservadoras. Como é para você habitar esses dois contextos sócio-políticos tão pessimistas?
Difícil entender como logo após um governo tão transformador como o de Barack Obama, Donald Trump, ser eleito. Mas parafraseando o próprio presidente Obama, a história é composta por ciclos que nos movimentam pra frente e pra trás; movimentos conservadores e movimentos vanguardistas, assim é composta nossa história. Tenho esperança da geração futura, que batalha por um mundo sustentável, que ocupa escolas, que pensa em novas identidades de gênero (vide a última capa da National Geographic sobre o tema). Busco ser otimista apesar de tudo e principalmente acho importante nesses momentos de polarização não incitar ódio e nem raiva.

Existem atualmente em trâmite no Brasil 42 projetos para hidrelétricas ao longo da bacia do rio Tapajós, suportando a vida de etnias, flora e fauna nativas desde tempos inaugurais. Qual a lembrança mais forte de sua visita à etnia Munduruku? O que você aprendeu de transformador na semana em que passou com eles?
A convite do Greenpeace, passei quatro dias com os Munduruku, na aldeia Sawre Maybu, hospedada à beira do rio. Foi minha primeira visita à Amazônia. Lembro-me muito das conversas com os caciques, das histórias contadas e, principalmente, a sabedoria deles sobre o rio e as espécies da região. Pensar nos dias de hoje em construir hidrelétricas que não somente irão destruir a vida desse povo, mas também a natureza é absurdo. Existem outras formas possíveis de energia que não essa. Isso já está mais que comprovado. Realmente, espero que o governo não revogue a decisão sobre o veto à construção no Tapajós.

Você disse (à Interview) que Cidade Baixa, em particular a atuação de Wagner Moura e Lázaro Ramos, mudou sua perspectiva sobre o que é atuar. Como foi isso?
Wagner é um ator completo. Vive e atua com alma, em tudo que faz. A verdade que ele trouxe às cenas e a intensidade em seu olhar me fascinam. Ali vi que o mais lindo nessa profissão é viver, viver o momento, viver a verdade, acreditar e fazer com alma cada segundo. Isso me inspirou e me inspira até hoje.

Você fez psicanálise?
Nunca fiz psicanálise, mas faço terapia. Interesso-me pela psicanálise, talvez algum dia ainda faça… É importante para o autoconhecimento.

Onde você mora exatamente?
Na realidade, moro onde meu trabalho me leva, mas São Paulo é e sempre será minha casa. É pra onde eu volto.

Você gosta de arquitetura e design?
Aprendi a admirar arquitetura e design através do olhar da minha mãe, que é grande apaixonada pelo tema. Ela que me introduziu a Sergio Bernardes, Paulo Mendes da Rocha e Isay Weinfeld e também aos móveis de Sergio Rodrigues. Nas minhas casas coloco o funcional à frente da beleza. Mas adoro quando as duas características se unem, por isso gosto tanto da Lina Bo Bardi e do Sergio Rodrigues. A clássica poltrona Mole, por exemplo, é superconfortável e belíssima.

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Foto: Chritian Gaul
Alice veste calça e top Egrey, sapatos Christian Dior, joias H.Stern
Fonte: GizBrasil

segunda-feira, 27 de março de 2017

Alice através do espelho

                                  "Nenhuma nudez será castigada"
Revista @gizbrasil com Alice na capa! 
Lançada hoje 😁 
#alicebraga #gizbrasil


O dia em que a bela, inteligente, talentosa, internacional e indomável Alice Braga, atualmente a atriz brasileira mais bombada na gringa, posou para ensaio de cadeiras na GIZ

POR:ALLEX COLONTONIO
FOTOS:CHRISTIAN GAUL
MODA:ANA WAINER
BELEZA:GUI CASAGRANDE

Com talento avassalador que cruzou o Atlântico feito um meteoro e carimbou um quase inatingível green card em Hollywood, até se tornar fetiche para toda sorte de publicações, Alice Braga é um dos orgulhos nacionais mais legítimos numa era de crepúsculos ufanistas, em que nosso filme quase tostou lá fora entre escândalos políticos e decapitações democráticas.
Nascida em 15 de abril de 1983, em São Paulo, a “menina da Vila Madalena” deu de cara com a indústria do entretenimento na primeira infância. Cresceu em sets de filmagens com a mãe, a assistente de direção Ana Maria Braga (nada a ver com a loira e seu inseparável Louro José). O pai, o jornalista Nico Moraes, apoiava. E ela correu atrás. Contracenou com Wagner Moura (Cidade Baixa, 2005), Will Smith (Eu Sou a Lenda, 2007), Julianne Moore (Ensaio Sobre a Cegueira, 2008), Harrison Ford (Território Restrito, 2009), Adrien Brody (Predadores, 2010), Jude Law (Repo Men, 2010), Anthony Hopkins (O Ritual, 2011), Gael García Bernal (O Ardor, 2014) – só para citar alguns.


Abocanhou prêmios importantíssimos e teve um número incontável de indicações nesta e em outras terras. É também a segunda brasileira (a primeira é a pouco falada Morena Baccarin, no ar em Gotham) a protagonizar uma série de TV norte-americana: Queen of the South, onde interpreta uma chefe latina do tráfico nos EUA.
Nas paralelas, é uma das três cabeças por trás da Los Bragas, produtora bacanuda que toca ao lado da irmã e do cunhado.
Alice nunca se debruçou à sombra da tia famosa que ajudou a pavimentar a estrada para ela (e para todos que viriam depois de O Beijo da Mulher-Aranha, longa de Hector Babenco que funcionou como coiote para a carreira de Sonia Braga passar facinho pela imigração, em 1985).

Conquistou, sozinha, seu lugar ao sol. E, duas semanas antes do Natal, apertamos o play numa operação de guerra para fotografá-la. A oferta para a nossa capa partiu de sua própria entourage e, mais do que instantaneamente, furamos a fila para eles. Apesar disso, as tratativas foram desgastantes, calcadas por lombadas, loopings, bifurcações, conflitos de interesses entre equipes e cancelamentos que, por muito pouco, não me causaram um AVC.
Tamanha foi a blindagem em torno da atriz, com mandos e desmandos impublicáveis (um dia conto tudo pra vocês lá no portal) que, no dia do shooting, esperava receber uma prima donna intratável. Errei feio. Poucos minutos depois, a Alice que desponta no estúdio reluz feito um raio de sol. Veste blusa azul de alcinhas, uma pantalona fresh e rasteirinhas. Parece pronta para a foto: cabelos soltos, olhões expressivos, sorrisão farto. Linda, cativante, absolutamente easygoing. Cumprimenta um por um com beijinhos e me abraça como se fôssemos velhos amigos. Transita pelo backstage interessadíssima nos móveis (curadoria feita a partir das formas mais voluptuosas da história do desenho industrial, que compunham o moodboard “mobília para vestir”, conceito deste ensaio que se conecta ao tema Nenhuma Nudez Será Castigada). Reconhece algumas peças, quer saber sobre outras. “Essa é do Sergio Rodrigues, né? Amo! Aquela é do Philippe Starck?”.

Christian Gaul, uma das lentes mais incensadas da fotografia nacional, se senta na poltrona Cone Heart Chair e mostra a pose que imaginou para a capa. A entourage acha aquilo muito vulgar, que não tem nada a ver com ela. Todos contestam e o pseudo-veto é voto vencido. Ela comemora ao ver o take no monitor: “Wow! Diz que essa vai ser a capa, por favor?”. É claro que foi.
“Na próxima encarnação, quero voltar pelo menos dez centímetros mais alta”, brinca enquanto a stylist tenta ajustar as barras de alguns vestidos. Alguém diz que não precisa de nem um milímetro a mais. Concordo: tal e qual a Marina Morena da canção do Caymmi, ela é linda com o que Deus lhe deu. Do alto de seus 1,63 metro, tem uma pele imaculada à prova de qualquer Fresnel ou high resolution, e um sorriso que desata qualquer nó. Olha sempre no olho da gente, sem desviar e sem fazer média. Inteligente e articulada, também é leve, zen. Aparenta ter menos de um porcento de gordura no corpo e cada músculo delineado escultoricamente reflete um estilo de vida saudável de alguém que se cuida de dentro pra fora e de fora pra dentro.
Hora de fotografar na poltrona Bowl de Lina Bo Bardi. Alice corre descalça pelo estúdio: “Só aguento o saltão na hora da foto, fiz agachamento ontem e tá tudo dolorido”.

Como na Roma Antiga, àquela altura, a entourage e o crew de GIZ estão se digladiando na arena – ambos em busca da foto perfeita, cada qual com seus argumentos e paranauês. Alice, profissionalíssima, dá o melhor de si e estrela uma sequência espetacular de caras, bocas, dentes e músculos – ainda que em apenas quatro ou cinco das dezenas de móveis espetaculares que pinçamos a dedo para ela, e que a entourage vetou ao classificar como “catálogo de cadeirinhas”, apesar das negociações prévias.
Alice posa para selfies com todo mundo. Se despede e agradece, diz que adorou e nos deixa, pontualmente, às 16h daquela terça-feira quente de dezembro, quatro dias antes da visita de Santa Claus.
Não tive direito à entrevista cara-a-cara pré-acordada (ela responderia dias depois, por e-mail, via entourage) e 288 fotos das 301 clicadas foram sumariamente gongadas pela turma. Mas Alice, por si só, segura a onda e estampa essas páginas com graça, categoria e boas vibrações. O resto são miudezas.


Fonte: GizBrasil

Pequenas novidades sobre QOTS e mais

Vamos começar essa semana e terminar essa segunda com essa imagem linda:
Alice Braga e Wagner Moura em Austin, para falar sobre diversidade em Hollywood, no SXSW. 😊 🎬 👏
#alicebraga #wagnermoura #losbragas #apexbrasil #sxsw
E mais algumas imagens do evento que Alice compareceu semana passada:
Nick Offerman photobomb, Alice Braga & Wagner Moura
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#sxsw #sxsw2017 #sxswfilm #nickofferman #parksandrec #ronswanson #ronswansonapproved #narcos #wagnermoura #brazil #alicebraga #iamlegend #redcarpet #funny #hilarious #instagood #instamood #instadream #instafunny #photographer #photocrew
Wagner, Alice e Nick Offerman
Wagner Moura e Alice Braga hoje no SXSW discutiram sobre a participação de latino-americanos nas produções de Hollywood. 
O SXSW não é só interatividade. Na verdade ele foi iniciado como um festival de música. Hoje congrega tecnologia, interatividade, música e cinema. #wagnermoura #alicebraga #sxsw #movies #filmbadge
Alice Braga! 
No painel do @sxsw 😁🎬 ✌
Foto: Diego Donamaria/Getty images 
#alicebraga #sxsw #losbragas #apexbrasil
Miga, sua louca!
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Hoje não tem top05, mas trago breves novidades sobre a segunda temporada de Queen of The South:

Conforme eu já tinha dito, o nome do primeiro episódio dessa segunda temporada será "El cuerpo de cristo" e ele será dirigido por David Boyd. O segundo episódio se chamará "Dios e el abogado". Não sei mais informações sobre os episódios 03 e 04, mas o episódio 2x05 se chamará "El nascimiento de Bolivia", roteirizado por Joe Loya e será dirigido por Nick Copus.
O 2x06 será "El camino de la muerte" que foi escrito por Ryan O'nan e também será dirigido por David Boyd.

Até agora não foram divulgadas datas de estreia, mas a série deve estrear em julho mesmo, para manter o público da primeira temporada.


Alice tem realmente entrado na personagem fugitiva e praticamente não tem aparecido nas imagens divulgadas dos bastidores.

                      #qots #queenofthesouth
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A protagonista sumida que você mais respeita!

 Ah! Hoje não tem top05, que volta na próxima semana. E Octavia Spencer está no Brasil hoje para divulgar "A cabana". Quem vai assistir?
#OctaviaSpencer é uma das minhas #atrizes preferidas 🌟🎭⚘❤. Amo seu trabalho, a #criatividade e a força na formação de cada #personagem. Já tem seu #Oscar, foi indicada de novo esse ano, e merece muitos mais 🎬👏👏👏. Suas interpretações costumam ser dedicadas a projetos nobres, como é o próprio #cinema, como é #ACabana 📽☉. Um filme lindo, muito bem realizado, adaptado de um #bestseller que tocou o planeta. A mensagem da Trindade Santa sem as arestas das religiões, o #amor, o #perdão, a #fé cristalina 🙏💎. Participar de um longa-metragem como esse não inflou o ego de Octavia, e sim aumentou seu desejo de que o mundo, a partir dela, pratique o #amor ao próximo, e seja transformado 🌐💝. #OctaviaSpencer é um exemplo de #artista consciente, de #talento comprovado, de mulher elegante, e de #fé declarada 🔝🌹✨. Em sete anos de #VisãoArte tive a oportunidade de participar de diversas #coletivasdeimprensa e #tapetesvermelhos. Muitos com algumas lendas, outros entre os meus preferidos. Nessa galeria abençoada, a tarde de hoje conquistou espaço marcante. Obrigada, #Pai 🙏! Obrigada, #OctaviaSpencer 🌷! Obrigada pela oportunidade, #ParisFilmes 🎬🎥🔝. {e parabéns pra brasileiríssima #AliceBraga que também está no elenco de #ACabana ⚘} #press #presentedeDeus #ilovemyjob #euamomeutrabalho #DeusnoComando

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

'Queen of the South': Giorgio Moroder fala sobre gravar trilha da série de Tv e do filme 'Tomboy, A Revenges Tale'

Trago abaixo, um trecho da entrevista de Giorgio Moroder - responsável pela trilha de QOTS - concedida a Billboard. Porque essa entrevista é importante? Moroder é um grande nome da música eletrônica e a Billboard uma grande formadora de opinião na seara musical, então com essa critica positiva da revista, já pode-se começar a pensar em um reconhecimento da trilha sonora da série nas próximas temporadas das premiações. Olha o que Giorgio Moroder falou sobre seu trabalho na série:



Sentado na varanda de um estúdio do DJ Giorgio Moroder situado em San Francisco onde ele criou o tema de “Expresso da meia-noite”, o primeiro filme em que ele trabalhou e que ganhou um Óscar, em 1979, eu percebo que ele é o único artista que você pode ver atuando hoje em dia que não só tem três Óscars, mas cujas músicas de trilhas sonoras de filmes vão cair nas pistas de dança. Quando ele toca o tema de “Never Ending Story”, o lugar é absolutamente abalado.

"Scoring* era algo que você poderia dizer que eu caí [sem querer]", diz Giorgio, "Nunca me ocorreu que era algo que eu poderia fazer, mas quando Alan Parker [diretor de Expresso da meia-noite] me perguntou, é claro que eu disse que sim."

Não é um exagero dizer que ele produziu algumas das músicas mais emblemáticas de todos os tempos para filmes americanos, incluindo trilhas para Scarface, Flashdance e Gigolô Americano, bem como canções de Berlim "Take My Breath Away" e Kenny Loggins "Danger Zone" de Top Gun. Agora Giorgio e o colaborador frequente Raney Schockne estão trabalhando juntos novamente, em Queen of the South, uma série sobre uma mulher em fuga nos EUA depois que seu namorado traficante de drogas é assassinado no México, da rede USA. Ele diz que trabalhar com um formato de 30 minutos é completamente diferente de um filme de longa-metragem, que para ele envolve, tradicionalmente, músicas individuais que definem momentos da história, em vez de um trabalho predominantemente instrumental.

"Eu ouvi dizer que as melhores trilhas são as que você não percebe. Eu gostei de “Queen of the South” porque me lembrou um pouco de Scarface", diz ele. O tema do show tem um groove disco sexy que seria bem-vindo em qualquer desempenho de Giorgio, mas com uma escuridão estranha que ele encaixa perfeitamente na história. Os comerciais de “Rainha do Sul” são construídos com instrumentais frenéticos que eventualmente se acalmam ecoando como saltos altos andando por um corredor. Em outras palavras, é absolutamente perfeito.

Embora os prazos e períodos para criar em Queen of the South sejam apertados, Giorgio e Raney já estão trabalhando em seu próximo projeto, o longa-metragem 'Tomboy, A Revenges Tale' estrelado por Sigourney Weaver e Michelle Rodriguez, é uma história sobre um assassino que se vinga depois de irritar as pessoas erradas e cair nas mãos de um cirurgião trapaceiro que o transforma em uma mulher. Ansioso para voltar a escrever uma combinação de canções e instrumentais usando músicos ao vivo, Giorgio está amarradão no projeto. "Eu estou interessado em fazer pelo menos algumas canções, não apenas eletrônicas. Eu amo o que Hans Zimmer faz, eu acho que ele é fantástico. É eletrônico, mas com instrumentos de verdade". A produção musical de “Rainha do Sul” é quase inteiramente digital, o que é ótimo para a eficiência, mas nem sempre boa para a inovação no som.


*(Criar trilha para material visual: séries, filmes, novelas, comerciais, etc.)

Confira a entrevista completa em inglês no site da Billboard.
Traduzido e adaptado pelo Alice Braga fã.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Entrevista completa traduzida para Wagner Moura

Confira a entrevista completa que Alice concedeu a Wagner Moura para a ótima revista norte-americana Interview. As entrevistas para essa revista são enormes, então a culpa não é minha... A entrevista é muito amorzinho. Queen B fala sobre QOTS, curiosidades do set de Cidade Baixa e eles falam sobre como ela salvou Wagner Moura uma vez.

Queen of the South começa no final: Teresa Mendoza, uma queenpin preeminente da droga na América e protagonista da série, é atingida através de uma das enormes janelas de sua casa. "Eu sabia que esse dia chegaria", diz ela calmamente em uma narração. Baseado no romance do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, o novo drama do USA acompanha a jornada de Teresa, do México aos EUA, e sua evolução de uma jovem mulher vulnerável a uma criminosa poderosa. A atriz brasileira Alice Braga, que fez sua estreia no cinema aos 18 anos de idade, no indicado ao Oscar “Cidade de Deus”, estrela como Mendoza. Embora o show é predominantemente em inglês, Braga também é fluente em espanhol.
Enquanto a maioria dos falantes de inglês reconhecerá Braga por seu trabalho em filmes de ação de Hollywood, como “I Am Legend” e “Elysium”, as raízes de Braga mantem-se firmemente no Brasil. Ela é proprietária de uma empresa de produção, Los Bragas, em São Paulo, a cidade em que ela foi criada. Muitos dos membros de sua família estão na indústria do cinema e da televisão; sua tia e mãe são atrizes e sua irmã é uma produtora. Aqui, Braga fala com seu amigo de mais de uma década Wagner Moura que, coincidentemente, estrela como o real chefão de drogas, Pablo Escobar, em “Narcos” da Netflix.

WAGNER MOURA: Eu fiz o meu dever de casa em você. Eu costumava ser um jornalista anos antes de nos conhecermos, por isso me lembra do tempo que eu era um jornalista. Eu acho que nós nos conhecemos em 2003, certo?

ALICE BRAGA: Sim. Era 2003, porque eu tinha 20 anos, e eu fiz 21 anos com vocês no set.

MOURA: Você era apenas uma menina.

BRAGA: Eu era um bebê.

MOURA: Lembro-me claramente o primeiro dia em que te conheci. Você chegou para substituir uma atriz, então você tinha aí, 10 ou 15 dias antes de começar a filmar. Você apareceu e eu não sei como exatamente, era você e Lázaro [Ramos] e eu, mas acabamos indo para bares bem baixo nível, em Cachoeira. Você se lembra disto?

BRAGA: [Risos] Eu lembro.

MOURA: Nós estávamos bebendo cachaça e dançando. Quando falo de um bar de baixo nível no interior do Brasil, eu não sei se as pessoas têm uma compreensão exata do que isso significa.

BRAGA: É definitivamente muito barato...

MOURA: Um lugar muito barato. Muita diversão.

BRAGA: Eu me lembro disso. Tivemos cachaça e conhaque um dia, mas eu acho que foi no set.

MOURA: Muita bebida envolvida. [Risos]. Nós estávamos trabalhando com outra atriz, e nós estávamos como, "O que vai acontecer?" O diretor só decidiu que ele ia substituir a atriz, e você chegou. Quando fomos a todos os bares, eu me lembro de pensar: "Ela é tão legal." Cidade Baixa acabou sendo um filme muito importante para você – para todo nós, eu acho, mas especialmente para você, certo?

BRAGA: Sim, definitivamente. E obrigado por dizer que você pensou que eu era legal. [Risos]

MOURA: Sim, eu acho que você é.

BRAGA: [Ambos riem] Quando eu fiz “Cidade de Deus”, eu tinha 18 anos, e foi durante minhas férias de julho. É inverno para nós, por isso temos apenas um mês de folga. Quando eu estava no Rio em filmagem, eu vi vocês fazendo “A Máquina” [peça de João Falcão]. Eu vi você e Lázaro e Vladimir [Brichta] e Gustavo [Falcão]: você e Lázaro juntos. E eu amei a peça. Para mim, isso mudou minha perspectiva sobre a atuação e teatro. Eu tinha 18 anos e eu estava encantada; era tão incrível ver este grupo de atores fazendo o mesmo personagem e a direção que vocês tomaram. Eu me apaixonei completamente. Então eu terminei “Cidade de Deus” e eu voltei para São Paulo e terminei a escola e comecei a frequentar a universidade (...). Quando eu recebi a ligação para ir para Cachoeira para conhecer vocês, eu me lembro exatamente quando me disseram quem ia estar no filme. Lembro-me do sentimento de, "Oh meu Deus, estes são os caras que eu me apaixonei, que me inspiraram a decidir, 'Ok, vamos fazer isso.'" De repente, eu me encontrei com vocês, nesse quarto em cima de uma fábrica de tabaco. [Risos]

MOURA: Foi uma preparação intensa.

BRAGA: Foi! Foi tão intenso. É claro que a personagem era um grande desafio para mim, mas também a química entre nós três, encontrar isso e, em seguida, aprender com vocês e realmente começar a trabalhar em algo tão profundo como "Cidade Baixa". Eu aprendi com todos; eu aprendi com o professor de atuação que tivemos, eu aprendi muito com vocês. “Cidade de Deus”, para mim, foi uma mudança de vida, por muitas razões: foi meu primeiro filme e o filme foi reconhecido em todo o mundo e eu consegui o meu agente. Mas “Cidade Baixa” foi o filme mais importante para mim como atriz porque ele me deu uma perspectiva do que eu amo sobre isso, e como é incrível quando você coloca a sua alma e dar-se 100 por cento para o que você está fazendo. Eu sempre digo esta história para os jornalistas, porque eles sempre perguntam: "O que você lembra que foi muito importante para você e sua carreira?" Lembro-me de uma cena com você, estamos no quarto e você vem a mim e me pede para ficar com você, e eu digo, "Eu não posso. Eu não posso ficar com você e eu não posso ficar com ele. Eu não posso", e você me agarra e empurra-me contra a parede. Você está me empurrando e eu estou tentando argumentar. Naquele momento, olhando em seus olhos e ter o nosso DP [operador de câmera] em cima da cama para tentar capturar isso, e toda a energia que tivemos, foi um dos momentos que, mudaram minha vida. Lembro-me de sua paixão, eu lembro dos seus olhos, e eu me lembro como estávamos, com o DP.

MOURA: Sim, essa foi uma cena muito, muito bonita. Eu sentia o mesmo sobre ela. “Cidade Baixa” é um dos filmes favoritos que eu fiz. Acabamos indo para o Festival de Cinema de Cannes, com isso, o que foi legal também. Lembra quando fomos convidados a andar no tapete vermelho de um filme que eu não me lembro o nome mais, por razões que: eu explico agora? [Braga ri]. Foi um filme com Bill Murray ou algo assim. Estávamos tão elegantes. Eu tinha um smoking e você estava tão bonita e as pessoas estavam tirando fotos de nós, mesmo que eles não tivessem a menor ideia de quem diabos erámos. Eu estava tipo, "Alice, eles estão tirando fotos de nós. Olha!" Nós caminhamos pelo tapete vermelho e quando chegamos à entrada do teatro, um cara - um guarda ou publicitário - mostrou o nosso caminho para fora do teatro. Nós estávamos rindo muito, rindo tão alto, como: "O que está acontecendo?"

BRAGA: Essa foi a primeira vez que andamos em um tapete vermelho, pelo menos para mim, tão grande.

MOURA: Oh sim, definitivamente. Um monte de estrelas de Hollywood estavam lá. Cidade Baixa, como Cidade de Deus, foi uma das grandes coisas no festival de cinema.

BRAGA: Eu amo essa história.

MOURA: Então, aqui estamos agora, no negócio de cocaína. Isso é onde acabamos. Deixe-me perguntar-lhe algo a respeito de “Queen Of The South”. Primeiro de tudo, eu quero saber como foi, porque nós não falamos sobre o fato de que nós dois estamos interpretando traficantes de drogas ao mesmo tempo.

BRAGA: E que somos chefes!

MOURA: Sim, nós somos os chefes da coisa toda. Como você se preparou para interpretar um personagem como esse? Qual foi a primeira coisa que você pensou: "Isto é o que eu tenho que fazer agora."?

BRAGA: Ele é baseado em um romance de Arturo Pérez-Reverte, este maravilhoso escritor espanhol. Eu li o livro, há oito anos. Uma grande amiga minha me deu o livro, e ela disse: "Você precisa ler este livro porque é uma história forte e bela, sobre esta mulher. Talvez ela seja um bom personagem para você interpretar, mas apenas leia". Os anos se passaram e eles fizeram a versão da telenovela em espanhol, e eu estava feliz que eles fizeram isso, porque eu sempre pensei que era uma personagem tão bela para uma mulher interpretar. Quando me chamaram, eu não podia acreditar que, oito anos depois de ter lido o livro e adorado a personagem, eles vieram a mim. Foi muito especial. Foi engraçado porque “Blindness” [Ensaio sobre a cegueira, no Brasil] que é baseado no livro de José Saramago, foi também um livro que eu amava, por isso, quando eles me convidaram foi o mesmo sentimento. Para “Queen Of The South”, o meu principal [motivo] para me inscrever era o personagem e o livro, porque era uma jornada que eu realmente queria interpretar. Então, logo depois que eu fui escalada, fui direto para o livro e fiz anotações, conseguindo todos os pequenos detalhes sobre o que as pessoas dizem sobre ela, quem ela é, que tipo de mulher que ela é no mundo que ela nasceu, como ela consegue sobreviver - tudo isso. Apenas tentando honrar o livro e ter uma melhor compreensão do mesmo. Eu tenho um professor de atuação que me ajuda. Ele trabalha comigo na preparação – lendo as falas, tendo ideias e desenvolvendo diferentes formas de abordar os personagens.

MOURA: E você, basicamente, trabalhou sob o livro. O livro foi a sua principal fonte.

BRAGA: Sim. Eles decidiram depois mudar o curso da história. Eles têm a inspiração do livro - esta personagem Teresa Mendoza, que vai de ser a namorada de um traficante de drogas a fugir [para salvar] sua vida. Ela escapa do cartel de Sinoloa, no México. No livro, ela vai para a Espanha, e na série ela vai para os EUA, porque os roteiristas decidiram mudar a jornada da personagem, eu sentei com eles e disse: "O personagem que eu quero interpretar é o personagem que está no livro. Essa é a minha paixão. Então eu vou me basear em como ela iria responder a estas novas coisas que vocês estão criando, nas pequenas notas e detalhes que Arturo Pérez-Reverte escreveu”. Eu realmente fui para o livro todo o tempo para obter pequenos detalhes que eu amo sobre ela, como ela nunca se vitimiza, ela é alguém que escuta mais do que fala, que observa muito e tem uma bela força interior. Ela poderia ter morrido; qualquer coisa poderia ter acontecido ao longo de toda sua vida. Ela foi abusada sexualmente. Ela vem de circunstâncias muito pobres. Esses pequenos detalhes de sua vida. Eu tentei honrar. O que quer que eles escreveram, a minha principal fonte de preparação foi o livro.

MOURA: Então ela é mexicana, mas tudo é falado em inglês?

BRAGA: Eles decidiram fazer toda a série em inglês para o público americano.

MOURA: Você tentou um sotaque mexicano?

BRAGA: Eu queria. Falo espanhol com sotaque mexicano em algumas cenas. Eu queria mudar meu sotaque a um inglês com sotaque mais mexicano, mas eles começaram a neutralizar todos, em vez de engrossar o sotaque. Eles queriam que fosse fácil para as pessoas entenderem. Essa foi uma escolha que eles fizeram e eu fui junto.

MOURA: Ainda é difícil para você trabalhar em outro idioma que não seja português? Acho que agora, você trabalhou mais em inglês do que em português.

BRAGA: Ainda é um desafio. Eu nunca pensei sobre isso, mas eu acho que é verdade, já fiz mais trabalho em inglês do que em português. Porque eu sou tão próxima de minha família e amigos e eu sempre falo português, meu coração e minha mente vai para o português. Uma vez que eu estava no set, depois de três ou quatro meses fazendo a série trabalhando duro todos os dias e só falando inglês, tornou-se mais fácil. Sua mentalidade está lá e você está sonhando em inglês e você está se concentrando nessa língua. Mas é difícil, de certa maneira, você está traduzindo de um lado para o outro. Como é isso para você?

MOURA: É um pesadelo. Inglês ou Espanhol, a qualquer hora que eu faço algo que não é português, meu cérebro está colocando muito esforço. É como: parte de seu cérebro está lá fazendo o personagem e a conexão com as emoções do personagem, e a outra parte do cérebro é como, 'Será que estou pronunciando bem? Isso está correto? "

BRAGA: [Risos]. Eu passo pela mesma coisa. Se você quiser improvisar ou apenas colocar o seu coração, é realmente difícil trazer essa intensidade.

MOURA: Minhas emoções primordiais saem da minha boca em português. Mas deixe-me te perguntar, fazendo “Queen Of The South”, a sua perspectiva sobre o comércio de drogas mudou? Você acha que as drogas devem ser legalizadas?

BRAGA: Na série, a principal jornada é sobre essa personagem e não a cocaína. Na primeira temporada, nós estamos mostrando o caminho para chegar lá - a relação do personagem com a cocaína é através de seu namorado e por esta mulher que contrata ela. No outro dia eu estava conversando com um jornalista e eles me perguntaram sobre "Narcos", e o que eu acho que é brilhante é que Narcos não só é baseado em uma história verdadeira, mas segue o caminho da cocaína. Segue toda a explosão de cocaína no mundo, e é realmente contar a história deste produto, esta droga. “Queen Of The South” é diferente porque o foco não é sobre a droga; É sobre este personagem. Mas temos [que encontrar], a balança de, "É entretenimento, mas a cocaína não pode ser uma parte divertida disso ou algo que idealizamos relacionada com a ação, fama ou dinheiro". É sempre o ponto que eu estou tentando discutir com os roteiristas. Se você olhar para o que está acontecendo, especialmente que, eu interpreto uma mexicana e nós estamos falando sobre o mundo mexicano que está além do devastador. A situação com os cartéis e o que estão fazendo para a comunidade, para as cidades, para todo o país, é de partir o coração. Glamourizar isso, é uma maneira totalmente errada de seguir.

MOURA: Como você disse, “Narcos” é muito sobre o nascimento do comércio de drogas, e quanto mais eu entendo sobre isso, mais eu tenho certeza que a "guerra às drogas" é um grande fracasso. Eu definitivamente acho que as drogas deveriam ser legalizadas, porque, como você disse, as pessoas que estão realmente morrendo nessa guerra são pessoas que vivem nos bairros pobres dos países que exportam ou produzem drogas. Eu acho que o vício é um grande negócio, e deve ser tratado como um problema de saúde, não um problema de polícia. A guerra está matando mais as pessoas viciadas. Eu sempre pensei que as drogas devem ser legalizadas, mas agora, fazendo Narcos, estou 100 por cento certo sobre isso.

BRAGA: Exatamente, eu concordo. Em todo o mundo, todas as relações com as drogas vêm da violência de tentar parar isso ou de tentar contrabandear. O que está acontecendo na fronteira dos Estados Unidos e do México é de partir o coração.

MOURA: É brutal.

BRAGA: Você já viu o documentário “Cartel Land”?

MOURA: Eu vi na semana passada. Sobre esse doutor [José Manuel Mireles] que criou uma milícia? Que personagem.

BRAGA: É uma loucura. É um filme maravilhoso por causa disso.

MOURA: É uma história tão triste. Em nossos países, os países da América do Sul, o tráfico de drogas traz violência para...

BRAGA: ... As favelas.

MOURA: A um nível que está além da compreensão. Eu acho que a melhor maneira de parar isso é tendo o governo controlando as drogas. Mas eu quero te perguntar um pouco sobre o Brasil também. Como é sua relação com o Brasil agora? Eu sei que você gosta de estar lá e adora trabalhar lá, mas como você equilibra o trabalho nos EUA e trabalhar no Brasil? Como você vê a indústria cinematográfica brasileira agora, e como você acha que eles te veem? Quer dizer, eu posso responder a essa última para você.

BRAGA: [Risos] Posso te perguntar? Porque eu não sei, na verdade.

MOURA: Eles te amam, e os brasileiros têm uma compreensão muito precisa de quem você é. Eles a veem como uma grande atriz, que você é, e um grande ser humano, que você também é. Eles estão muito orgulhosos de você e de todos os filmes que você está fazendo no exterior. Como você vê a indústria no Brasil?

BRAGA: Bem, obrigado por tudo o que você acabou de dizer. Eu te amo.

MOURA: Não é minha opinião. É dos brasileiros. [Risos]

BRAGA: [Risos] que pessoas calorosas. Acabei por ter essas portas abrindo-se para mim quando eu era muito jovem para trabalhar fora, o que foi maravilhoso. Eu apenas me joguei nisso pela curiosidade, através de um desejo de conhecer novas pessoas e me desafiar com diferentes possibilidades, e acabei trabalhando muito aqui. Mas o Brasil é de onde eu vim; sou 100 por cento brasileira, eu tenho a minha casa em São Paulo e eu realmente acredito no nosso cinema e no talento que temos. Acho que temos uma indústria cinematográfica maravilhosa.

MOURA: Você tem uma empresa de produção no Brasil, certo?

BRAGA: Sim! Exatamente. Eu tenho uma empresa de produção [Los Bragas] com Felipe Braga.

MOURA: Agora o meu melhor amigo, graças a você.

BRAGA: Eu levo o crédito! Para aqueles que estão ouvindo, eu apresentei vocês e agora ele está escrevendo seu primeiro longa. Meu outro irmão. Mas porque eu tenho trabalhado [nos EUA] um monte, um monte de gente assume que eu não trabalharei mais no Brasil. Nos últimos anos, nos últimos dois anos, especialmente, eu encontrei dificuldades e falam ao nosso agente no Brasil para me encontrar. Ela diz: "Você está sempre viajando, por isso algumas pessoas pensam que não podem te alcançar." Estou realmente tentando mudar isso. No Brasil eles dizem: "Oh, ela é uma atriz internacional", e honestamente eu não sou internacional; Eu sou uma atriz que trabalha no exterior. Eu realmente quero ter a chance de trabalhar com os diretores [brasileiros] que admiro e amo. Há tantos bons diretores fazendo um trabalho incrível lá. Eu não só quero fazê-lo, quero apoiá-lo, até mesmo produzindo para apoiar a nossa indústria. O Brasil é de onde eu vim e para onde eu quero voltar sempre, por isso espero que eles me deem mais empregos.

MOURA: Eles vão. O Brasil está em um momento tão horrível agora. Mas isso vai passar.

BRAGA: Vai. A coisa boa é que não estamos quietos. Essa é a coisa mais importante.

MOURA: Há uma grande quantidade de pessoas que estão denunciando o que está acontecendo agora, e é bom que as pessoas saibam que é uma ruptura horrível com a democracia. Mas isso é um assunto tão triste - vamos mudá-lo. Vamos falar um pouco sobre Elysium. Então, de repente nos encontramos vivendo no mesmo edifício e trabalhando juntos em Vancouver.

BRAGA: Quais são as chances? [Risos]

MOURA: Eu tenho três memórias muito fortes sobre isso. Número um é o dia em que eu pensei que eu ia morrer e você literalmente me salvou em um hospital de Vancouver. Sempre que eu falo sobre você, minha mãe chora. Você se tornou uma santa para ela.

BRAGA: Eu adoro ela. Eu me lembro daquele dia muito claramente. Lembro-me de ser um dia de folga e de relaxar. Eu estava indo jantar com o meu empresário que estava na cidade e então você me ligou dizendo: "Ei, o que você está fazendo?" "Eu: apenas indo beber e jantar, se você quiser se juntar a nós." "Não, está tudo bem. Eu estou indo para o hospital." E então eu encontrei você e fomos para o hospital. Você teve uma febre horrível que ninguém conseguia descobrir.

MOURA: Eu tive pneumonia e eu estava prestes a morrer. Foi horrível. Você é a pessoa que cuidou de mim.

BRAGA: Ah, mas eu te amo. Eu estava com medo, porque ninguém da produção ... [risos]

MOURA: Eu espero que eles leiam esta entrevista. Eu não vou dizer nomes, mas eu chamei a produção, era 23:00, e eu era como, "Eu estou morrendo, você pode, por favor, me levar ao médico?" Eles enviaram um motorista para me pegar e o motorista me levou ao hospital, mas não para dentro do hospital. Ele abriu a porta e disse: "Boa sorte." Estava nevando e eu andei e me lembro de pensar: "Eu não sei se eu vou sobreviver a esta caminhada para o hospital," então eu liguei para você. Você salvou minha vida. Você comprou comida para mim. Minha mãe te ama. Eu te amo.

BRAGA: Você é meu irmão. Você mora no meu coração. Eu tive de fazer isto. E nós estávamos vivendo no fim do mundo, de qualquer maneira com Elysium.

MOURA: A outra memória forte que eu tenho é o dia que nós dirigimos um longo caminho para uma praia fora de Vancouver, e choveu durante cinco dias.

BRAGA: [Risos] E eles eram os únicos dias que tivemos de folga.

MOURA: Nós tivemos cinco dias de folga e estávamos felizes. Alugamos um carro e eu cheguei a conhecê-la um pouco melhor, porque falamos muito.

BRAGA: Eu sempre falo muito. Mas eu me lembro de você tentando me contar uma história e eu ficava interrompendo você e você nunca terminou a história. Você lembra disto?

MOURA: Foi um poema que eu gravei com a minha banda. Eu queria dizer o poema e você me interrompeu, como, por seis vezes e eu: "Você quer ouvir isso ou não"? [Risos]

BRAGA: Quando terminarmos esta entrevista, eu preciso ouvir o poema.

MOURA: É bonito, mas você nunca vai saber porque é tarde demais. Eu nunca vou dizer o poema para você. O terceiro não é uma memória, porque eu realmente não me lembro o que aconteceu. Nós saímos, nós deveríamos ter ido jantar, mas em vez de comer, tivemos três garrafas de vinho e eu não me lembro como voltamos para o prédio.

BRAGA: Eu te levei lá para comer o cheesecake.

MOURA: Nós não comemos nada!

BRAGA: [Risos] E no dia seguinte, eu fui caminhar.

MOURA: E eu fiquei como uma cobra no meu quarto "Ughhhhh". Morrendo.

BRAGA: Eu só lembro de um flashback, nós chegamos no hotel e você percebeu que tinha perdido seus óculos, por isso tivemos de percorrer todo o caminho de volta, mas era difícil de andar. Isso é o que eu me lembro sobre essa noite.

MOURA: As pessoas no restaurante, eles estavam tão bravos com a gente. Eu não sei o que nós fizemos exatamente, mas eles não estavam satisfeitos com a gente. Quem são seus artistas favoritos? Quem são seus ídolos que você gostaria de trabalhar com ou que você iria desmaiar se você se encontrasse em algum momento?

BRAGA: É ridículo, porque cada vez que alguém me pergunta: "Trabalhar com quem mudou você?" e você é o primeiro na minha lista por causa de “Cidade Baixa”. As pessoas que me inspiraram em minha jornada, Diego Luna foi especial, porque foi o primeiro filme que fiz no exterior e ele era um ator tão forte no sentido de ser jovem, mas com tanto conhecimento, porque ele é um ator desde que ele era uma criança.

MOURA: Eu me lembro que tinha um monte de diversão com Diego em Vancouver também.

BRAGA: E lembre-se que você não falava espanhol. Toda vez que eu falo com alguém e eles amam seu Pablo [Escobar], eu continuo lembrando: "Ele não falava espanhol!" Você ficava imitando eu e o Diego naquele restaurante japonês.

MOURA: Em algum ponto Diego disse: "Cara, apenas fale português, por favor, não tente falar espanhol.". Havia este filme que você fez. Eu não vou dizer qual, mas você sabe. Você tem uma cena muito bonita, no final, e você não diz nada, você está apenas andando. [Braga ri] E eu perguntei-lhe: "O que você estava pensando quando você fez aquela cena?" E você disse: "Eu estava pensando sobre as coisas que eu tinha que fazer e onde eu ia passar o Ano Novo." Eu penso sobre essa resposta cada vez que eu estou fazendo uma cena e não estou realmente pensando sobre isso e isso me faz gargalhar. Você era como, "Você sabe, praia no Brasil. Eu não posso esquecer o protetor solar." Então, minha pergunta final é: onde você vai passar o Ano Novo?

BRAGA: Eu estava pensando ou na Bahia ou na Costa Rica.

MOURA: Vamos para a Bahia.